As chuvas irregulares, que dificultaram o plantio da safra 2015/16 de soja em Mato Grosso, também atrasam os trabalhos no "Matopiba", confluência entre os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nessa fronteira, a baixa umidade já provocou replantios e a migração de áreas da oleaginosa para o milho. Mas nem tudo está perdido: precipitações entre o fim de dezembro e janeiro, se confirmadas, ainda podem sustentar a produtividade da soja. 
   A falta de uniformidade no regime de chuvas no Centro-Oeste e no "Matopiba" é atribuído ao El Niño, que este ano está se manifestando com forte intensidade. No Sul, o fenômeno causa excesso de umidade. "Chuvas [nas próximas semanas] serão decisivas para tirar o atraso do plantio e manter um bom nível de produtividade", afirmou José Américo Vasconcelos, diretor de Políticas para Agricultura e Agronegócio da Secretaria da Agricultura de Tocantins. A região que mais tem sofrido no Estado é a sul, onde o plantio foi feito em 75% da área prevista, mas já deveria ter terminado. Já houve replantios em 3% a 5% da área total. 
  Conforme Vasconcelos, previa-se um aumento na área destinada à soja em Tocantins em 2015/16, mas a tendência agora é de estabilidade em relação à safra passada, quando foram semeados 850 mil hectares. A Conab ainda projeta avanços de 7% da área e da produção no Estado. Segundo a autarquia, a colheita chegará a 2,65 milhões de toneladas. 
 No Maranhão, os avanços previstos pela Conab são de 2,2% para área e 2,9% para colheita, a 765,7 mil hectares e 2,13 milhões de toneladas, respectivamente. Em Balsas, importante polo de soja no Estado, o plantio também já deveria estar encerrado, mas está na casa dos 60%. 
  De acordo com Isaias Soldatelli, vice-presidente do sindicato rural de Balsas e presidente da Aprosoja (MA), parte dos agricultores preferiu não arriscar o plantio de soja e partir para a semeadura do milho de verão. "A quebra existe e o prejuízo é real, mas as perdas serão minimizadas se chover bem daqui para frente". A questão, ressalvou, é que o teto produtivo da oleaginosa vai diminuído conforme o tempo passa. "No ano passado, nossa média foi de 46 sacas por hectare porque também tivemos problemas de estiagem. Mas o nosso normal é 50 sacas", disse ele. 
A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) mantém o otimismo com o rendimento da soja no oeste do Estado, onde se concentra a produção da commodity. "Há chuvas previstas para a primeira quinzena de janeiro e a coisa pode não ser tão catastrófica quanto se apresentava", afirmou Luiz Stahlke, assessorde agronegócio da Aiba. 
Entretanto, a associação não descarta revisões, caso as chuvas não caiam. Por enquanto, a Aiba prevê que a safra 2015/16 de soja na região avançará 25% sobre 2014/15, a 5,21 milhões de toneladas. A Conab estima 4,66 milhões. Em torno de 90% da área de soja baiana está plantada.  
  No Piauí, a expectativa da Conab é de produção de 2,04 milhão de toneladas, alta de 11,3% ante o ciclo passado. Mas Altair Fianco, produtor do município de Uruçuí, acha difícil que o desempenho seja tão animador. Segundo ele, desde 24 de novembro não ocorrem chuvas significativas. O Estado está com apenas 30% da área de soja plantada e, de acordo com ele, que também é ligado à Aprosoja local, está havendo replantio. As altas temperaturas são motivo adicional de preocupação. 
Fonte O Valor Econômico