Pouco mais de um mês após assumir a chefia do Departamento de Inspeção dos Produtos de Origem Animal (Dipoa), José Nilton Botelho pediu exoneração do cargo e deverá retomar seu posto como fiscal agropecuário.

A Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) não consegue contar com uma equipe estável desde que Antônio Andrade se tornou ministro da Agricultura. Botelho é fiscal federal agropecuário há mais de 32 anos e foi alçado à chefia do Dipoa em uma tentativa de aplacar o movimento grevista dos fiscais agropecuários liderados pelo Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA). Não deu certo. O sindicato manteve a greve mesmo com a posse de Botelho. A paralisação da categoria teve início depois da posse do antecessor de Botelho, Flávio Braile Turquino. Os fiscais federais agropecuários exigiam a nomeação de profissionais de carreira para as diretorias de caráter técnico da pasta. Agora, há diversas versões sobre a saída de Botelho. A do ministério é que o profissional estava com saudade de sua família e resolveu voltar para Mato Grosso do Sul. Outra versão, confirmada por fiscais agropecuários próximos a Botelho, diz que ele estava sendo pressionado a arrecadar “contribuições” junto a grandes empresas do agronegócio.

Segundo fontes da ANFAA, a SDA hoje é aparelhada para arrecadar dinheiro. “Cada pessoa terá uma interpretação sobre a sua saída, mas ele não quis dar mais detalhes temendo sua integridade física. Ele não quis se submeter a coisas erradas”, disse o presidente da ANFAA, Wilson de Sá. O nome do próximo chefe do Dipoa ainda não foi escolhido, mas deverá ser o atual coordenador-geral de Programas Especiais do Dipoa, Leandro Feijó.
 
Fonte: Valor Econômico