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Discurso da presidenta da República, Dilma Rousseff, durante encerramento do Encontro Empresarial Brasil-China – Palácio Itamaraty
 
Palácio Itamaraty, 19 de maio de 2015
 
 
Excelentíssimo Senhor Li Keqiang, primeiro-ministro da República Popular da China;
Ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Senhores governadores;
 
Senhoras e senhores ministros de Estado, membros do Conselho de Estado e integrantes das delegações da China e do Brasil;
 
Senhoras e senhores participantes do Seminário Empresarial Brasil-China;
Senhoras e senhores, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.
 
É uma grande honra para mim participar mais uma vez deste Conselho Empresarial. No ano passado nós estivemos aqui, na presença do presidente Xi Jinping. Hoje nós temos a honra de contar com a presença do primeiro-ministro Li Keqiang.
 
Este Conselho, ele sempre cumpriu – e agora ainda mais – cumpre um papel estratégico no fortalecimento das nossas relações econômicas. As relações entre o Brasil e a China, principalmente nesse momento de desaceleração da economia internacional. O comércio e os investimentos recíprocos entre Brasil e China podem e vão significar uma melhoria na nossa situação econômica.
 
 
Em 2014, o nosso comércio bilateral totalizou quase US$ 80 bilhões, o segundo maior resultado de toda a série histórica. São números impressionantes se lembrarmos que hoje 18% das exportações brasileiras dirigem-se para a China, enquanto em 2004 apenas 2,1% das exportações brasileiras destinavam-se à China.
 
No mesmo período, o estoque de investimentos chineses no Brasil passou de cinco para mais de US$ 11 bilhões. Esta visita do primeiro-ministro marca uma nova etapa de nossas relações. Os Acordos governamentais e empresariais que hoje nós assinamos, em especial nas áreas de investimento e comércio, serão decisivos nesta nova etapa do nosso relacionamento.
É importante sinalizar que assinamos hoje o Plano de Ação Conjunta 2015-2021. Esse plano é um plano que define, na relação China-Brasil, objetivos claros, metas concretas e direção para a cooperação bilateral nos próximos sete anos.
 
 
Eu destaco que essa cooperação, ela terá, neste período, um sentido e um eixo muito claro: o eixo da cooperação em infraestrutura e o eixo da cooperação na complementaridade dos investimentos nas atividades e nos setores produtivos dos nossos países. Destaco aqui o Acordo-Quadro sobre Investimentos e Capacidade Produtiva, assinado entre o Ministério do Planejamento brasileiro e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. Este acordo-quadro reúne iniciativas que estão em curso e abre, também, novas oportunidades nas áreas de energia elétrica – na qual nós já colaboramos, tanto em transmissão e agora queremos colaborar em energia renovável e nuclear -, como em mineração, infraestrutura e manufaturas. Isso totaliza um investimento de mais de US$ 53 bilhões, olhando em uma perspectiva de médio prazo.
 
 
A implantação desse acordo terá também o suporte da cooperação entre a Caixa Econômica e o Banco Industrial e Comercial da China. O Plano de Ação Conjunta 2015-2021, portanto, terá esse suporte de financiamento que é este acordo entre a Caixa e ICBC. Através dele, o ICBC vai
disponibilizar recursos da ordem de US$ 50 bilhões, por meio de crédito, de arranjos de financiamento e de fundos de investimento.
 
 
A infraestrutura também vai ser beneficiada por um projeto de grande alcance. Um projeto que vincula estreitamente o Brasil com a Ásia e a própria América Latina. Esse projeto, que envolve Brasil, Peru e China, trata-se de um projeto de construção de uma logística bastante desafiadora: é a Ferrovia Transcontinental, a Ferrovia Bioceânica, ligando o oceano Atlântico ao oceano Pacífico, algo que todas as linhas de logística sempre tiveram de contornar, ou seja, nós sempre contornamos o continente latino-americano, seja pelo Sul, seja pelo Norte. Agora, essa ferrovia cria um verdadeiro caminho novo e nós convidamos, em especial as empresas chinesas, a participarem dessa grande obra, que sairá do Tocantins, lá na ferrovia Norte-Sul, passando pelo Mato Grosso, Lucas do Rio Verde, Sapezal, Vilhena, e chegando ao Acre e atravessando os Andes e chegando aos portos do Peru.Eu recebi com muita satisfação essa proposta, porque ela é um marco na logística do Brasil e um marco, também, nas relações entre o Brasil e a China. Vamos lembrar que nós fizemos, também em parceria, um grande gasoduto. O gasoduto que ligou o Sul, Sudeste do Brasil praticamente, ao Nordeste através do chamado Gasoduto do Nordeste, o Gasene, feito em parceria com o governo chinês.
 
Eu recebi também com muita satisfação a proposta que me fez hoje o primeiro-ministro, de criação de um Fundo bilateral de Cooperação Produtiva, da ordem de US$ 20 bilhões, recursos esses provenientes do Governo da China, e voltado prioritariamente para investimentos nas áreas de siderurgia, de cimento, de vidro, de material de construção, de equipamentos e manufaturados. A parte brasileira também vai participar deste fundo com os recursos necessários para que nós possamos alavancar investimentos em toda área de infraestrutura e também nessa área industrial.
 
 
Hoje, lá no Palácio do Planalto, nós lançamos a pedra fundamental de um projeto que foi elaborado quando da visita do presidente Xi Jinping, aqui, em julho de 2014. Trata-se da transmissão em ultra-alta tensão da linha de transmissão que sai de Belo Monte e chega até o Centro-Sul do país onde está a maior demanda por energia elétrica. É uma linha construída pelo consórcio State Grid Empresa, uma das grandes empresas de eletricidade do mundo, chinesa, e o consórcio Furnas-Eletronorte.
 
 
Além disso, é importante sinalizar aqui para o Fórum Empresarial, os acordos de cooperação entre o Banco de Desenvolvimento da China, o Banco de Indústria e Comércio da China e o Banco de Exportação Eximbank chinês com a Petrobras, no valor de US$ 10 bilhões, o que reflete não só a confiança na Petrobras, mas também ampliando a parceria que temos com as empresas chinesas CNPC e CNOOC no campo de Libra, na extração de petróleo do pré-sal. Da minha parte, eu convidei o governo chinês, os empresários chineses, a participar, na área de petróleo e gás, de investimentos tanto em refinarias como em estaleiros.
 
 
Todos esses dados que estou dando eles refletem duas coisas: que nós queremos consolidar a relação com a China, com base não só nas nossas vantagens comparativas na área de commodities, o que é muito importante, mas também abrindo novas áreas tanto no que se refere a infraestrutura quanto se refere a investimentos nas cadeias produtivas. Ampliação do comércio e investimentos, portanto, devem exigir que nós nos empenhemos no sentido de assegurar que esses projetos ocorram.
 
 
O presidente Xi Jinping, falando sobre desenvolvimento econômico no seu país, afirmou algo que nós temos de prestar atenção. Ele disse o seguinte: que o tempo das reformas “fáceis” havia passado, cabendo agora implementar agora aquelas “difíceis”. Algo semelhante também deve ocorrer no Brasil, e está ocorrendo no Brasil. Nós passamos por um período de construção de condições que vão permitir que a nossa economia tenha maior estabilidade. E nós temos de simultaneamente buscar ampliação da nossa capacidade de investimento e isso deve contribuir para aumentar a nossa produtividade. Daí porque a China é um parceiro estratégico para nós. A China, que investiu fortemente em infraestrutura na última década, e que tem toda uma expertise nessa área de infraestrutura, ela também busca novos caminhos, e um dos caminhos, sem sombra de dúvida, passa por essa parceria aqui no Brasil.
 
O Brasil por sua vez, também hoje, precisa dar um salto tanto no investimento em infraestrutura, mas também deve continuar assumindo e expandindo toda a área de commodities. E aqui eu quero destacar um ponto: eu quero destacar o que amplia e diversifica nossa pauta exportadora. Amplia a assinatura do Protocolo Sanitário, que vai permitir a retomada das exportações de carne bovina para a China, que será implementada imediatamente com a habilitação dos oito primeiros estabelecimentos exportadores.
 
O primeiro-ministro Li Keqiang, ele demonstrou a disposição da China, dada a manutenção da qualidade dos produtos bovinos e das proteínas, da qualidade dos produtos derivados de proteína, manter e expandir de forma ágil e efetiva a habilitação dos estaleiros.
Também renovamos a parceria da Vale com empresas chinesas e bancos chineses, e isso vai permitir uma melhoria do transporte marítimo, tornando o minério brasileiro também mais competitivo. A visão dessa parceria é uma visão de longo prazo.
 
Além disso, nós temos ampliado a nossa parceria com a China em termos de crescimento na pauta dos produtos de maior valor agregado. A entrega dos primeiros 22 aviões da Embraer, dentre os 60 aviões vendidos para a Tianjin Airlines é um marco nesta questão.
O ingresso do Brasil como membro fundador do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura vai abrir também novas oportunidades para que nossas empresas cheguem aos mercados chinês e asiático.
 
O Brasil tem grande potencial exportador também em segmentos como tecnologia, em serviços bancários, logística, construção, alimentos, aviação, software, motores e autopeças. E a China também tem, como segunda economia do mundo, um leque de possibilidades enormes. Nós, inclusive, para a realização da Olímpíada, contratamos equipamentos na área de mobilidade urbana, que foi financiada pelo governo federal, contratamos equipamentos chineses de qualidade, como é o caso dos trens de metrô.
 
Todo esse vasto intercâmbio, ele será ainda mais impulsionado pelas decisões que viemos implementando. Já tínhamos decidido antes a existência do swap cambial e agora vamos implementar, de fato, o mecanismo de pagamento em moedas locais, num montante de R$ 60 bilhões, previstos para a parte brasileira, e CNY$ 190 bilhões, previstos para a parte chinesa.
É, igualmente, muito positiva para todos nós a decisão chinesa de reduzir as taxas de resseguros e aumentar os prazos das operações. Essas operações elas favorecem tanto os investimentos quanto o comércio.
 
Na reunião de hoje, nós também avançamos mais uma vez na área de ciência e tecnologia tanto no que se refere ao CBERS 4 quanto ao Ciência sem Fronteira.
Finalmente, eu acredito muito no que disse recentemente o ministro Li Keqiang em Davos, quando falou que a China deve concentrar suas iniciativas na qualidade, na sustentabilidade do crescimento e não apenas em sua expansão quantitativa.
 
Isso também vale para o Brasil. Para tanto, nós sabemos que é necessário observar, como disse o primeiro-ministro, “as qualidades do esquiador”: andar na velocidade certa, manter o equilíbrio e ser corajoso. Acredito que nossos países e nossos empresários têm essas qualidades.
Com ritmo, prudência e ousadia equilibradas, criamos a parceria econômica que hoje impulsiona o desenvolvimento da China e do Brasil. E tenho certeza que as nossas relações, a sua ampliação, a sua expansão beneficiará também a economia do mundo. Muito obrigada.
Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço em homenagem ao Primeiro-Ministro da República Popular da China, Li Keqiang e senhora Cheng Hong – Palácio Itamaraty
Palácio do Planalto, 19 de maio de 2015
Excelentíssimo Senhor Li Keqiang, primeiro-ministro da República Popular da China e senhora Cheng Hong,
Senhor Michel Temer, vice-presidente da República Federativa do Brasil e presidente da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação pela parte brasileira (COSBAN),
Deputado presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha,
Ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski,
Senhoras e senhores ministros de Estado, membros do Conselho de Estado e integrantes das delegações da China e do Brasil,
Governador Flávio Dino, do Maranhão; Camilo Santana, do Ceará; José Melo de Oliveira, do Amazonas.
 
Senador Jorge Viana,
Deputados federais integrantes da Frente Parlamentar Brasil-China,
Senhoras e senhores embaixadores,
Senhoras e senhores empresários, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.
Quero, mais uma vez, dar as boas-vindas ao primeiro-ministro Li Keqiang e à professora Cheng Hong. É uma grande alegria tê-los aqui em Brasília, primeiro-ministro. Tive a honra de receber, no ano passado, a visita do presidente Xi Jinping. Naquela ocasião, celebramos não apenas os 40 anos de nossas estratégicas relações diplomáticas, mas, sobretudo, olhamos para a frente e vimos o futuro de nossa parceria estratégica global, o qual cabe aperfeiçoar. A visita do primeiro-ministro demonstra que estamos cumprindo a nossa tarefa. Temos de nos empenhar cada vez mais.
 
O plano de ação conjunta 2015-2021, e os acordos, vários e múltiplos que assinamos hoje, são prova da amplitude e da ambição de nossa agenda. Na esfera bilateral, temos cooperado em áreas tão diversas quanto a exploração de petróleo do pré-sal, à qual a China deu uma grande contribuição. O planejamento de ferrovias que, esperamos, liguem o Atlântico ao Pacífico, e impulsionem a integração da América do Sul com a China e a Ásia. A concepção e o lançamento de satélites, as redes de transmissão em ultra-alta tensão. A China é o maior parceiro comercial do Brasil; a economia brasileira é o principal destino dos investimentos chineses na América Latina. São investimentos de longo prazo fundamentais para o nosso desenvolvimento. No âmbito multilateral, coincidimos no esforço de construir um mundo multipolar, um mundo de paz, inclusivo e pacífico, que priorize soluções nos temas da segurança coletiva. Temos mantido constante interlocução em fóruns como as Nações Unidas, os BRICS, o G20, o BASIC e em iniciativas como a reforma do Fundo Monetário do Banco Mundial e conclusão da Rodada de Doha. Essa aproximação, que ganhou impulso na última década, aumentou a interação e o conhecimento mútuo entre nossas sociedades. Afinal, são de homens e mulheres que as nações são feitas, e são homens e mulheres que devem dialogar.
 
A história da China traz importantes exemplos para o Brasil. Detentora de uma civilização milenar e de grande riqueza cultural, sua nação e seu povo superaram a espoliação colonial e o trauma de duas guerras mundiais para recuperar seu lugar de destaque no sistema internacional que vinha de longas e longas décadas, de longos séculos.
Hoje, a China é um país cuja inserção no mundo tem por base conceitos como o desenvolvimento pacífico, o sonho chinês e o conceito de Confúncio de harmonia, elementos de estabilidade em prol de uma ordem internacional mais justa e equitativa.
Caro primeiro-ministro Li Keqiang, É igualmente uma satisfação especial receber a professora Cheng Hong, conceituada estudiosa da literatura, cuja obra “A tranquilidade não tem preço”, trata da importância das coisas intangíveis, como o som de um rio e o canto dos pássaros. Permita-me, professora, tomar de empréstimo essa ideia: a amizade entre a China e Brasil, além de todos os avanços concretos que temos visto, também se baseia em valores imateriais, entre eles a igualdade, a confiança mútua, mais uma vez, a harmonia e respeito à diversidade.
Como disse recentemente o primeiro-ministro: “a diversidade cultural é o mais precioso tesouro de nosso planeta”. E disse também: “a sociedade humana é como um jardim, onde civilizações florescem, onde diferentes culturas e religiões devem buscar a paz, a estabilidade, a coexistência harmoniosa”. É em nome desses valores intangíveis, de todo o nosso fluxo de comércio e investimento. É, sobretudo, em nome de nossa amizade, das causas comuns que defendemos, que proponho um brinde a Vossa Excelência, um brinde à professora Cheng Hong, e à toda a sua delegação, senhor primeiro-ministro, que espero, possam levar do Brasil a melhor das recordações. Kanpai senhor ministro, Kanpai.
 
Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de assinatura de atos entre Brasil e China – Brasília/DF
Palácio do Planalto – DF, 19 de maio de 2015
Li Keqiang, primeiro-ministro da República Popular da China;
Senhoras e senhores ministros de Estado, membros do Conselho de Estado e integrantes das delegações da China e do Brasil;
Senhores governadores: Flávio Dino, do Maranhão; José Melo, do Amazonas; Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul;
Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.
Senhoras e Senhores,
Com satisfação, recebo hoje o primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang, em sua primeira visita ao Brasil e à América Latina como chefe de Governo, acompanhado de expressiva delegação governamental e empresarial.
Este encontro reafirma a característica estratégica e a intensidade de nossas relações. Dá seguimento aos contatos de alto nível que nossos governos tornaram frequentes nos últimos anos, dentre os quais gostaria de destacar a visita de Estado do presidente Xi Jinping ao Brasil, em julho de 2014.
 
Construímos, por meio dos princípios da igualdade e da confiança mútua, as bases para uma Parceria Estratégica Global entre a China e o Brasil.
Em 2016, viajarei, uma vez mais, à República Popular da China, a convite do Presidente Xi Jinping.
 
Tivemos, nesta manhã, uma reunião muito produtiva, marcada pelo diálogo franco e pela disposição de avançar, fortalecer e efetivar cada vez mais a nossa parceria.
O Plano de Ação Conjunta 2015-2021, que assinei com o primeiro-ministro, inaugura uma etapa superior em nosso relacionamento. Está expressa nos vários acordos, nos múltiplos acordos governamentais e empresariais firmados hoje, em especial nas áreas de investimentos e comércio.
 
Teremos a oportunidade de dialogar com o empresariado dos dois países sobre o importante papel que exercem nesse processo de aproximação.
O Brasil atribui grande importância à assinatura deste Acordo sobre Investimentos e Capacidade Produtiva, que hoje foi assinado entre o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma que reúne iniciativas em curso e abre novas oportunidades nas áreas de energia elétrica, mineração, infraestrutura e manufaturas, totaliza mais de US$ 53 bilhões.
 
A infraestrutura será beneficiada com um projeto de grande alcance para o Brasil, para a integração sul-americana via o Peru e para o comércio com a China.
Nossos três países, Brasil, Peru e China – e agora eu gostaria de dirigir também minhas saudações ao presidente Ollanta Humala -, iniciam, juntos, estudos de viabilidade para essa conexão ferroviária bioceânica.
 
Trata-se da Ferrovia Transcontinental que vai cruzar o nosso país no sentido Leste-Oeste, cortando o continente sul-americano, ligando o oceano Atlântico ao Pacífico. Convidamos as empresas chinesas a participarem dessa grande obra, que sairá de Campinorte, no Tocantins, lá na Ferrovia Norte-Sul; passará por Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso; atingirá o Acre e atravessará os Andes até chegar ao porto no Peru.
 
Um novo caminho para a Ásia se abrirá para o Brasil, reduzindo distâncias e custos. Um caminho que nos levará diretamente, pelo oceano Pacífico, até os portos do Peru e da China.
O primeiro-ministro e eu reafirmamos a importância, também, de nossas relações financeiras. O Acordo entre a Caixa Econômica e o Banco Industrial e Comercial da China, o ICBC, criará um fundo de US$50 bilhões, fortalecendo as opções para financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil.
 
No setor de energia, estamos ampliando a parceria já consolidada em petróleo, gás e hidroeletricidade. Como vocês viram, lançamos, hoje, a pedra fundamental de uma linha de transmissão em ultra alta tensão em corrente contínua de 800 mil volts, a ser construída pelo consórcio State Grid, chinês; Furnas e Eletronorte, brasileiras. Este consórcio levará energia da usina de Belo Monte, no Pará, até Minas Gerais. percorrendo 2.086 quilômetros.
Estabelecemos também iniciativas de cooperação em energia renovável e nuclear, que permitirão o intercâmbio de experiências visando o desenvolvimento tecnológico e industrial conjunto.
 
Celebro, igualmente, os Acordos de cooperação entre o Banco de Desenvolvimento da China, o Banco de Indústria e Comércio da China, o China Eximbank e a Petrobras. O crédito oferecido, de US$ 10 bilhões, além de refletir a confiança que nossa empresa de petróleo possui, em muito contribuirá para o fortalecimento das atividades do pré-sal, onde já contamos com expressiva presença das empresas chinesas.
 
Tem particular importância a proposta chinesa de criação de um Fundo bilateral de Cooperação Produtiva, da ordem de US$ 20 bilhões, recursos do governo da China, voltado prioritariamente para investimentos nas áreas de siderurgia, cimento, vidro, material de construção, equipamentos e manufaturas. A parte brasileira irá também participar deste Fundo com recursos.
 
Senhoras e senhores,
O comércio bilateral, outro aspecto central de nosso relacionamento, totalizou quase US$ 80 bilhões em 2014. A China é, hoje, o primeiro parceiro comercial do Brasil e com vistas a intensificar nosso intercâmbio, aprovamos várias medidas importantes.
Hoje estão sendo assinadas novas parcerias de comércio e investimentos produtivos. Ressalto os seguintes setores: financeiro, automotivo, telecomunicações, energia, siderurgia, indústria de alimentos, mineração, gás e petróleo.
 
A assinatura do Protocolo Sanitário, por exemplo, criará um marco jurídico necessário para a retomada das exportações de carne bovina para a China, de forma sustentável, que será implementada imediatamente com a habilitação, feita pela China, dos primeiros oito estabelecimentos exportadores brasileiros.
 
Sem dúvida, nosso pujante setor agropecuário tem condições de contribuir muito mais para a segurança alimentar dos chineses. Reiterei ao primeiro-ministro nosso interesse em tornar efetivo e ágil o processo de habilitação de novos estabelecimentos brasileiros produtores de carne bovina, suína e de aves.
 
O comércio de minérios também será beneficiado pela parceria da Vale do Rio Doce com empresas e instituições financeiras chinesas. A aquisição de navios e o contrato de frete fortalecerão a logística de transporte marítimo e tornarão o produto brasileiro ainda mais competitivo.
 
Além disso, estamos diversificando o leque das exportações brasileiras para a China, ampliando a participação de produtos de maior valor agregado.
A entrega do primeiro lote de 22 aeronaves, dentre as 60 vendidas pela Embraer para a Tianjin Airlines e a ICBC Leasing, é um importante marco nessa direção.
Todo esse vasto intercâmbio será ainda mais impulsionado pelas decisões que hoje nós tomamos.
Vamos utilizar o mecanismo de pagamento em moedas locais, no montante de R$ 60 bilhões previstos para a parte brasileira e CNY$ 190 bilhões, previstos pela parte chinesa. Esta medida contribui para mitigar as oscilações monetárias no comércio internacional.
Saudei, igualmente, a decisão chinesa de reduzir as taxas de resseguros e aumentar os prazos das operações de seguro que favorecem os investimentos e o comércio entre o Brasil e a China.
 
Nossa parceria avança também no campo da educação, da tecnologia e da inovação. Com o lançamento, em dezembro último, do satélite CBERS-4, a China e o Brasil consolidaram uma iniciativa emblemática no mundo em desenvolvimento, que contribui na fiscalização e desmatamento da Amazônia. Além disso, os serviços de imagens territoriais geradas pelo satélite contribui muito para os países africanos.
 
Na reunião de hoje, decidimos também desenvolver conjuntamente um satélite de sensoriamento remoto. Aproveito para agradecer a parceria no programa Ciência Sem Fronteira, que hoje acolhe centenas de estudantes e pesquisadores. Agradeço, portanto, ao governo chinês; agradeço também às empresas chinesas, como a Huawei, que estão participando desse esforço e aprimoram suas parcerias com a Capes.
 
Senhoras e senhores,
A China e o Brasil têm desempenhado um papel de destaque na construção de uma nova ordem global.
 
Essa parceria é particularmente importante em 2015, quando as Nações Unidas celebram 70 anos. Reiterei que ela nos permitirá aprofundar a nossa perspectiva em favor da reforma do Conselho de Segurança da ONU.
 
O primeiro-ministro Li e eu compartilhamos a expectativa de que a próxima Cúpula dos BRICS, em Ufa, na Rússia, acelerará a implantação do novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e do Acordo Contingente de Reservas, que aprovamos no ano passado, na presença do presidente Xi Jinping, em Fortaleza.
 
Renovamos, ainda, nosso compromisso de atuar no G20 em defesa da reforma das instituições financeiras multilaterais. O FMI e o Banco Mundial não refletem ainda em sua governança o peso dos países emergentes.
 
O Brasil, ao tornar-se membro fundador do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, passa a ter também novas oportunidades de ampliar a participação de nossas empresas nos mercados chinês e asiático.
 
A nossa declaração bilateral sobre a mudança do clima reflete nosso compromisso com a redução de emissões de gases de efeito estufa e a determinação de atuar em coordenação no âmbito do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China), visando o êxito da 21ª Conferência das Partes, a COP21, em dezembro, em Paris.
 
Primeiro-ministro Li,
Como diz um provérbio chinês, “se o vento soprar em uma única direção, a árvore crescerá inclinada”. Temos de aperfeiçoar nossas relações econômicas, buscando sempre maior harmonia, respeito e benefícios mútuos.
 
Tenho certeza que hoje estamos trilhando este caminho. É para este objetivo que devem convergir os três compromissos estratégicos que hoje renovamos: a ampliação de investimentos, comércio cada vez mais intenso, aberto e diversificado; e o aprofundamento de parcerias em educação, ciência, tecnologia e inovação.
 
Quero, por fim, reiterar a grande honra que tive em recebê-lo. Quero reiterar o compromisso do governo brasileiro de participar de projetos em infraestrutura, de complementar a nossa cadeia industrial produtiva entre Brasil e China. Espero, senhor primeiro-ministro, que sua visita ao Brasil seja seguida de muitas outras oportunidades para que o povo e o governo brasileiros reiterem a estima e o apreço que têm pelo povo e pelo governo da República Popular da China.
 
Muito obrigada.