Ainda que tenha diminuído drasticamente no mês passado no mercado doméstico, a vantagem relativa dos preços da carne de frango em relação aos da carne bovina, ainda é suficiente para estimular a demanda pelo produto. De modo geral, a valorização de mais de 20% nos preços da carne de frango no atacado da Grande São Paulo foi uma resposta à disparada do dólar. Mas, de acordo com analistas, o diferencial de preços apenas se aproximou da média histórica. Além disso, uma eventual recuperação da demanda por carne bovina no mercado doméstico esbarraria na escassez de oferta.
 
De acordo com o Rabobank, a diferença entre as cotações do frango resfriado e a carcaça bovina no atacado atingiu o pico histórico em meados de abril, quando o preço de um quilo de carne bovina equivalia ao valor de três quilos de carne de frango – a média de 2015 é de 2,7 vezes. Em setembro, porém, a forte alta da carne de frango – combinada a uma elevação bem mais modesta da carne bovina -, reduziu essa diferença paulatinamente, de 2,71 vezes no fim de agosto para 2,345 vezes em 30 de setembro. Trata-se de uma diferença bem mais próxima da média histórica de 2,25 vezes desde o início de 2010, conforme levantamento feito pelo Rabobank.
 
“Ainda assim, a carne de frango deve continuar vendendo mais. A carne bovina pode ter uma recuperação, mas como a oferta é restrita, não é o suficiente para tirar o atraso”, disse o analista do Rabobank, Adolfo Fontes, em alusão à esperada queda do consumo per capita de carne bovina no Brasil. Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o consumo anual per capita de carne bovina no Brasil deverá chegar a 30,8 quilos neste ano, queda de 11,7% ante 2014.
 
 
Fonte: Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.