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Embarque total de carne bovina in natura cresceu 15% até julho em relação ao ano anterior

Dentre as proteínas animais, a carne de frango tem apresentado um cenário mais desafiador. Primeiramente, há uma diferença considerável entre as dinâmicas das exportações de carnes bovina e suína para as de frango, o que está diretamente relacionado à maior necessidade chinesa das duas primeiras, já que a produção doméstica do país asiático é incapaz de apresentar rápida resposta. Com isso, o embarque total de carne bovina in natura cresceu 15% até julho em relação ao ano anterior e o de carne suína 40%, enquanto que os de aves ficaram estáveis no mesmo comparativo.

Embora as exportações de carne de frango para a China venham apresentando bom resultado (+28% em jan-jul 20/19), os volumes enviados ao conjunto dos demais destinos externos tem se mostrado aquém do ano anterior. Exceto para a China, maior comprador, as vendas caíram para os seis principais destinos, com destaque para as quedas para a Arábia Saudita (- 39 milt) e Emirados Árabes (-47 mil). Além dos menores envios a estes países, o preço de exportação caiu bastante neste ano, prejudicando o spread das vendas externas, embora o resultado apenas para a China seja bem melhor em função do preço 35% superior à média geral. A forte queda do preço do petróleo em função da pandemia complicou ainda mais o cenário, dada sua correlação com o preço de exportação de carne de frango brasileira, que tem ampla presença dos países árabes, embora venha dando sinais de recuperação, tanto o petróleo quanto o preço de exportação. A rentabilidade superior da exportação frente ao mercado doméstico também diminuiu razoavelmente, com o diferencial de preços da carne em dólares vindo de 90% em mai/20 para 44% em ago/20. No mercado doméstico, observamos um efeito positivo nos preços da ave decorrente do menor alojamento de pintinhos até maio, e do auxílio governamental na renda das famílias. Porém a alta de preços foi insuficiente para equilibrar as margens dado que os custos da ração voltaram a subir, a despeito das amplas safras de milho e soja. Neste contexto, seria prudente ao setor, amenizar o ritmo de alojamentos, que voltou a subir em junho (11% acima de jun/19), no sentido de ajustar a produção às demandas interna e externa.

 

Fonte: Radar Agro Itaú

Publicado em: 01.09.2020