A combinação de juros em alta no Brasil com volatilidade do câmbio criou uma oportunidade para que empresas brasileiras contratem empréstimos em dólar. Companhias estão encontrando vantagem em tomar crédito na moeda americana mesmo sem necessariamente serem importadoras ou exportadoras, com taxas mais competitivas do que em empréstimos locais.
 
 
Embora não existam números oficiais sobre a modalidade, a estimativa de bancos é de um estoque na ordem de US$ 7 bilhões. O volume é relativamente pequeno porque a competitividade da linha em relação às opções de crédito local depende de janelas de oportunidade – o que ocorre atualmente.
 
 
O custo da operação em dólar com prazo de até cinco anos tem ficado abaixo dos juros das tradicionais linhas de capital de giro oferecidas no mercado doméstico, dependendo do perfil de risco da empresa. A comparação já considera a proteção contra a oscilação da moeda (hedge). Esses empréstimos têm sido tomados segundo o mecanismo da Lei nº 4.131. Diferentemente do adiantamento de contrato de câmbio ou de um pré-pagamento de exportação, a operação não exige que a companhia tenha lastro em exportações, como é comum nas demais linhas de comércio exterior. A abertura das janelas depende basicamente do cupom cambial, que representa o custo de se emprestar em dólares no Brasil. Entre as variáveis que determinam essa taxa estão a diferença entre os juros externos e domésticos e a perspectiva de desvalorização do real. A incerteza recente sobre ambas as variáveis aumentou o cupom e criou as condições para os bancos voltarem a oferecer os empréstimos.
 
 
"Há casos em que chega a haver de 100 a 120 pontos-base de diferença entre o custo local e a operação estrangeira. Mas é uma diferença que pode aumentar ou diminuir em semanas. Então, a estratégia é aproveitar as oportunidades", diz Adoniro Cestari, responsável pela área de produtos corporativos do Citibank.
 
 
Os principais tomadores dos "empréstimos 4.131" são empresas de grande porte e de capital intensivo, como as do setor elétrico e varejistas. Os bancos, porém, têm visto crescer a demanda também entre médias empresas.
 
 
Fonte:  Valor Econômico