O câmbio, desvalorizado em quase 10% desde o fim de maio, pressiona a inflação, mas também garante ao governo arrecadação extra. A reavaliação de receitas e despesas mostra que a União teve um aumento de R$ 1,51 bilhão com a variação cambial. Esse efeito é captado principalmente no Imposto de Importação e no IPI vinculado à importação. Quando o real se desvaloriza, o preço dos bens estrangeiros convertido para moeda nacional aumenta e, em consequência, o imposto devido também sobe.
 
Apesar da queda da inflação em julho, as expectativas do mercado são pessimistas para o último quadrimestre por conta da alta do dólar. A inflação esperada pelo mercado em geral para julho recuou de 0,2% para 0,05%. A inflação projetada para o ano, porém, caiu bem menos: 0,05 ponto percentual, de 5,8% para 5,75%. Os analistas dos chamados "Top 5" de curto prazo, grupo de cinco departamentos econômicos que mais acertam suas projeções, fizeram uma revisão ainda mais expressiva, projetando inflação de 0,01% em julho. Apesar disso, suas projeções para a inflação no ano subiram de 5,73% para 5,77%.
 
A desvalorização cambial começa a aparecer nos índices de preços três meses depois de o dólar subir e costuma ter impacto maior até seis meses depois. Ou seja, a alta da moeda americana desde fins de maio vai chegar à taxa de inflação em setembro.
 
Fonte:  Valor Econômico