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A saca de milho está R$ 6 mais cara em comparação ao mês passado. Essa alta, de acordo com especialistas do setor, está diretamente ligada ao clima, a estiagem no Sudeste e Centro-Oeste, que atrasou o cultivo de verão. Mas existe outro fator: a demanda maior, sobretudo, nos países asiáticos.

– Eu diria que ele está dentro de parâmetros de normalidade, sempre há uma alta um pouquinho, nesse período do ano. Daqui a pouco, entra nova safra e hoje não podemos falar de safrinha, temos duas safras. Entra a nova safra, e aí isso deve regularizar, mas não é um único fator, há uma demanda externa bastante acentuada e isso pesa – explica o analista de mercado Osler Desouzart.
 
Para os suinocultores e avicultores, os preços do milho estão reduzindo a margem de lucro. Geraldo Salaroli é suinocultor na região de Bragança Paulista, a 100 Km de São Paulo, 70% da dieta para alimentar 2,5 mil animais é composta por milho e ele já sente o peso dos custos no bolso.
 
– Um aumento de 9% no custo total da minha produção de ração e nos custos gerais da granja – calcula o suinolcultor.
 
Mesmo com essa situação, Salaroli diz que o cenário ainda é melhor que o do ano passado:
 
– Os preços dos grãos estavam altos e o preço dos suínos estava baixo. Na metade desse ano, houve uma inversão. O preço do milho devido à supersafra americana caiu, e o preço do suíno melhorou por causa da intriga entre Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia.
 
Para quem produz milho e possui estoques é um bom momento para fazer negócios.
 
– Quem tiver estoque ainda é um momento favorável. Eu diria que ainda está uma cotação agradável. Eu não especularia muito com o milho – sugere Desouzart.
 
Conforme o analista, com a safra que deve começar a ser colhida em janeiro os preços tendem a se normalizar.
 
– Naturalmente, quando começa a entrar, a tendência é que ele caia. Numa perspectiva mais a longo prazo, eu não vejo grãos em geral, não só milho, sofrendo enormes altas. Não vão sofrer nenhuma baixa. Eu não vejo grão explodir de peço, pressionando para cima, antes de junho de 2016, quando se espera que a China se torne uma nítida importadora de milho e passe a pressionar os estoques mundiais para baixo.
 
Fonte:  Canal Rural