Seis meses após o lançamento do Plano Safra 2015/16, com R$ 187,7 bilhões em recursos disponibilizados para o crédito rural, a expectativa do Ministério da Agricultura é de que não haja demanda, por parte dos produtores rurais do país, para todo o montante previsto. Isso porque as contratações totais de financiamento pelo agronegócio até agora mostram um ritmo menor. 
Nos seis primeiros meses da atual temporada 2015/16, entre julho e dezembro, os desembolsos para a agricultura empresarial atingiram R$ 76,5 bilhões, ligeira alta sobre os R$ 76,3 bilhões de igual período de um ano antes. O montante desembolsado equivale a 40,7% de todo o recurso programado para a atual safra, que se encerra em junho deste ano. No mesmo período do ciclo anterior, 2014/15, os produtores já haviam tomado 49% dos R$ 156,1 bilhões destinados naquela safra. 
Enquanto os desembolsos para o custeio agrícola cresceram 20,6% para R$ 51,2 bilhões na primeira metade da atual safra ­ só os bancos públicos emprestaram R$ 35 bilhões ­, o crédito para investimento seguiu a tendência de queda ao longo de todo o atual ciclo e caiu 40%, para R$ 13 bilhões. Quando se incluem os agricultores familiares entre todos os tomadores de crédito rural, as contratações globais recuaram 2% para R$ 89,5 bilhões, entre julho e dezembro do ano passado. 
Por outro lado, os empréstimos para custeio tomados com juros livres, grande aposta do governo para incrementar a oferta de crédito no Plano Safra 2015/16, também aumentaram, mas num ritmo menor do que o projetado pelo ministério: o montante contratado cresceu 43,4% para R$ 7,7 bilhões, o que corresponde a 15% do inicialmente previsto para todo o plano. Em 2014/15, na mesma época, esses desembolsos haviam consumido 23% do programado.
"Nosso ponto de preocupação são os recursos livres. No Plano Safra 2015/16 colocamos R$ 30 bilhões para custeio com recursos a juros livres, mas foram contratados apenas R$ 1,5 bilhão pelos bancos privados até dezembro, por exemplo. Então dificilmente haverá demanda pelos R$ 30 bilhões", afirmou ontem o ministro interino da Agricultura, André Nassar. "Então, ao final da safra, não vamos ter R$ 187,7 bilhões de desembolso", completou. 
Quando desenhou o atual Plano Safra, o ministério anunciou um aumento de 20% no volume total de recursos comparados a 2014/15, apostando nos recursos a juros livres, que não contam com subsídio do governo e são mais caros, pois contêm taxas acima da Selic, taxa básica de juros, que está em 14,25% ao ano. Esses financiamentos tinham como base as chamadas Letras de Crédito Agrícola (LCA), títulos financeiros que a partir de 2015/16 tiveram que ser direcionados em parte para o crédito rural, conforme norma do governo.
Contudo, até dezembro, as contratações de crédito com base em LCAs somaram apenas R$ 1,8 bilhão. Para Nassar, os bancos privados, que trabalham mais com esses recursos, ainda não se adaptaram totalmente às novas regras. "Mas o crescimento do crédito para custeio mostra que a agricultura não perdeu a confiança", disse o ministro interino.
 
Fonte: Valor Econômico