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Devido à forte crise que atingiu a cadeia produtiva da suinocultura em 2012, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou, na última semana, o projeto de lei 7.416, que inclui a carne suína na política de garantia de preços mínimos. Apesar disso, de acordo com especialistas, o ano deve ser de estabilidade e os produtores precisam estar cautelosos.
 
É o caso do suinocultor Geraldo Salaroli, que testemunhou a difícil fase econômica e pensou em abandonar a atividade. O prejuízo na sua granja, localizada no interior de São Paulo, chegou a R$ 600 mil no ano passado. "Foi a pior crise em toda história da suinocultura nacional. No pior cenário, que foi em julho de 2012, eu tinha iniciado alguns investimentos no começo do ano. Cheguei a pensar a desativar todo o segmento da minha granja. A suinocultura ainda não conseguiu se recuperar e os produtores continuam sofrendo com os reflexos da crise. Os preços de grãos, milho e soja, que são os principais produtos que pesam no custo da ração, estão abaixando, voltando à realidade, mas, infelizmente, o preço do suíno vem caindo também. Então, não houve ainda nenhuma melhora para a suinocultura", acrescenta Salaroli.
 
Quando a lei entrar em vigor, o governo vai agir de três formas: o Poder Executivo pode atuar diretamente no mercado promovendo leilões, pode rever os juros pagos pelos produtores rurais e comprar a carne suína pelo preço mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. Os criadores acreditam que, com a nova lei, o cenário do setor deve mudar. Assim, os produtores poderão lidar melhor em períodos de crise. "Ele terá um mecanismo que vai estabilizar a atividade. Se tivermos em uma situação como foi a de 2012, de saber que aquele produtor não tem mais que vender o animal por preço abaixo do preço do frango, é que ele terá a quem vender esse animal. Vamos esperar que isso efetivamente não fique mais em um belo pedaço de papel", sublinha o analista de mercado Osler Desouzart. "Para este ano, o especialista afirma que os produtores ainda precisam estar atentos".
 
"O ano de 2013 ainda será marcado pelo produtor lambendo as feridas e, acredite, são feridas profundas. Nós só podemos pensar em crescer em projetos ousados e novos em 2014. Este ano será realmente para tentarmos botar a casa em ordem, e o produtor rural não deve, sobretudo, acreditar em grão barato", acrescenta Desouzart. A matéria dos preços mínimos segue agora para a votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Se for aprovada, vai para a sanção da presidente Dilma Rousseff.
 
 Fonte: Canal Rural