As exportações brasileiras de carne de frango estão concentradas nas mãos de duas empresas, conforme levantamento divulgado ontem pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef). De acordo com a entidade, BRF e JBS foram responsáveis por cerca de 70% do volume exportado pelo país em 2013.
 
Maior processadora de carne de frango do Brasil, a BRF representou 45,8% das exportações brasileiras do produto no ano passado, conforme a Ubabef. Por seu turno, JBS foi a segunda principal exportadora de carne de frango no período, com 23,8% de participação nas vendas externas. Os números da JBS já incluem a Seara Brasil, adquirida da Marfrig em 2013. Com participações mais modestas, a cooperativa catarinense Aurora foi responsável por 3,5% das exportações, enquanto que a americana Tyson Foods representou 2,3%.
 
Ao todo, o Brasil exportou 3,89 milhões de toneladas de carne de frango no ano passado, queda de 0,7% ante 2012, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura. Essa queda está associada a fatores domésticos e externos.
 
De um lado, a queda de exportações resulta da menor produção de carne de frango no Brasil, que ainda sofreu os impactos da crise de custos de grãos que sacudiu a avicultura em 2012. Em balanço anual ontem, a Ubabef informou que a produção nacional de carne de frango caiu 2,6% em 2013, para 12,308 milhões de toneladas.
 
As exportações também sofreram com os elevados estoques de carne de frango em alguns períodos do ano no Oriente Médio, região que responde por 37% das exportações brasileiras.
 
Para 2014, a Ubabef espera uma recuperação tanto nas exportações quando na produção nacional. A entidade estima que a indústria brasileira produzirá 12,8 milhões de toneladas de carne de frango, crescimento de 3,9% sobre o ano de 2013.
 
A maior produção deve contribuir com a elevação do consumo doméstico, revertendo o cenário do ano passado, quando o consumo per capita de frango caiu 7%, de 45 quilos por habitante por ano para cerca de 41 quilos habitante por ano, reflexo da inflação. "2014 é um ano de eleições e de Copa do Mundo, que deve trazer algo próximo de 500 mil pessoas para o Brasil. Isso aumenta consumo", afirmou o dirigente da entidade.
 
Para as exportações, a Ubabef projeta aumento de 2% a 2,5% em 2014. Essa taxa poderia maior ser com a abertura de alguns mercados, disse o presidente da entidade, Francisco Turra. "Se o governo desobstruir alguns canais, nossas exportações poderiam crescer 5%", afirmou. Entre esses canais, estão países como Paquistão, Myanmar e Nigéria, que mantêm seus respectivos mercados fechados. Índia e África do Sul, apesar de abertos, têm tarifas impeditivas ao produto brasileiro.
 
Fonte:  Valor Econômico