Nos próximos cinco anos, o Brasil será o maior produtor de carne bovina do mundo, superando os Estados Unidos, que atualmente ocupam o primeiro lugar no ranking. A previsão é de Fernando Sampaio, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
 
Segundo a entidade, o mercado nacional é responsável por 17% da produção total da carne bovina no planeta, e o norte-americano 19%. “Hoje, já somos os maiores exportadores do produto, mas podemos superar os EUA até 2020, no que diz respeito à atividade produtiva”.
 
Outra nação que poderia fazer frente ao Brasil neste setor seria a Austrália, mas “este país tem limitações de água, enquanto os EUA não têm muito para crescer porque, mesmo exportando muito, eles consomem mais que produzem”.
 
Um dos fatores que deve favorecer o País é a utilização da tecnologia pela bovinocultura. “A pecuária está ocupando cada vez menos espaço físico no campo, sem perder a produtividade. Mas nossa base ainda é o pasto, porque sai mais barato. Na produção norte-americana, por exemplo, o bezerro sai da vaca direto para o confinamento”.
 
Uma estimativa divulgada recentemente pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que o Valor Bruto da Produção de carne bovina deve chegar ao fim de 2015 com algo em torno de R$ 93 bilhões, correspondendo a um aumento de 19,23 % sobre os R$ 78 bilhões do VBP no ano passado. Para a Abiec, o VBP deve ser ainda maior, pois, segundo Sampaio, a entidade leva em conta toda a cadeia produtiva da carne bovina, que inclui não só a produção em si, mas aquilo que sai do campo, passa pelo setor agroindustrial até chegar à produção de artigos para consumo com diversas finalidades, como o sebo e o couro.
 
“Acreditamos que toda a cadeia da bovinocultura fechará 2015 com uma movimentação que deve passar os R$ 380 bilhões (último cálculo da Associação referente a 2014).”
 
“A produção de carne é um dos itens da balança comercial que mais tem crescido, dentro do agronegócio brasileiro”, resume Sampaio, destacando outros dados da Abiec: somente em 2014, o Brasil vendeu carne bovina in natura para 151 países e industrializada para 103 nações.
 
Ele atribui a evolução do setor ao fato de o País ter expandido as negociações externas, nas últimas décadas. “Até 2007, nosso maior importador era a União Europeia, que até então sempre foi nosso maior mercado. De 2002 a 2012, a Rússia passou a ser nosso comprador mais importante. Na sequência, Hong Kong superou a UE e a Rússia”, informa o diretor da Abiec.
 
Agora, diz Sampaio, a expectativa é de que a China se fixe de vez como o maior comprador da carne bovina brasileira. “Com as recentes reabilitações de novas plantas frigoríficas por parte dos chineses, em 45 dias – do final de junho e durante todo o mês de julho – exportamos 15 mil toneladas para aquele país asiático. Isto significa que a tendência é só de crescimento”, acredita.
 
O diretor também cita um conjunto formado pelo Oriente Médio – com destaque para Arábia Saudita, Argélia, Egito, Irã e Líbano -, que também colaborou para o salto de crescimento da bovinocultura brasileira, em quase 15 anos.
 
“Alguns fatores favoreceram o Brasil, como o nosso status sanitário. Hoje, apenas os Estados de Amapá, Roraima e Amazonas – este último não tem bois – não são livres de febre aftosa.”
 
Sampaio ainda avalia que a estabilização da economia também ajudou bastante, “porque antes o criador de gado mantinha seus bois quase como uma reserva de valor, caso precisasse vender; hoje, ele sabe que o setor passou a ser uma atividade produtiva bem lucrativa”.
 
 
Fonte: SNA/RJ, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.