A produção brasileira de grãos é o exemplo maior da pujança do agronegócio brasileiro, somente nos últimos 10 anos cresceu mais de 60% e está prestes a superar 200 milhões de toneladas. Não há dúvidas da competência agrícola do país, bem como de que este processo de evolução vai continuar nos próximos anos. No entanto é necessário avançar na agregação de valor da produção de milho e soja, protagonistas desta história, é o momento de planejar a produção de carnes.
 
A geração de valor ao transformar grãos em carne ocorre sob diversos aspectos, desde a criação de empregos ao longo das cadeias produtivas, o desenvolvimento de setores industriais relacionados à produção de proteína animal, o aumento da eficiência logística ao transportar produtos de maior valor agregado, o desenvolvimento de competências tecnológicas necessárias ao incremento de produtividade, o aumento do conhecimento, até a geração de divisas ao exportar produtos mais caros. 
 
A comparação dos valores das commodities agropecuárias exemplifica bem o valor adicionado aos grãos quando são transformados em carnes. Cada tonelada embarcada de milho ou soja rende ao país entre 200 a 500 dólares, enquanto a exportação de uma tonelada de carne gera de 2 a 5 mil dólares de divisas ao Brasil. Estes são apenas os valores dos produtos em si, sem considerar todo ganho envolvido no processo de produção, transformação, transporte e comercialização. 
 
Naturalmente a produção das carnes vai aumentar no Brasil. Todas as perspectivas nacionais e internacionais apontam para um aumento de 30% a 40% nos próximos 10 anos. A carne de frango que teve desempenho espetacular na produção, consumo e exportação desde a estabilização monetária de 1994, com o plano real, vai continuar liderando o crescimento, seguida pela carne suína e por fim a carne boi, acompanhando assim a tendência mundial de maior crescimento das proteínas mais baratas.
 
Entretanto não é este o ponto. O que está em discussão é a necessidade de uma decisão estratégica do país em estimular este caminho de agregação de valor e aproveitar a chance que é oferecida ao Brasil de incrementar a produção animal através das oportunidades dos mercados externo e doméstico. É necessário planejar o desenvolvimento das cadeias de proteína animal. É imprescindível o Brasil ter uma política de produção de carnes, que pela sua complexidade requer muito mais que apenas acompanhar os movimentos de mercado e socorrer as cadeias produtivas em momentos de dificuldade.
 
Fonte:  Blog do Coser