Skip to main content

Com a proximidade de Goiás com os estados de  Mato Grosso e Tocantins, a oferta maior de bois ajuda a  expandir os confinamentos. Matéria-prima de um lado, alimentação de outro, fechar o boi para engorda ganhou força com o crescimento da agricultura, apenas parte da boiada mais tradicional  subiu do sul  para o norte goiano.
"Aquela ideia que nós tínhamos antigamente de que a agricultura empurrava a pecuária para longe, na realidade está havendo uma inversão disso, a agricultura profissional está trazendo de volta a pecuária porque a pecuária tornou-se a terceira safra para o agricultor", diz Maurício Velloso, presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação de Agricultura de Goiás (Faeg).
Em 2015, o estado esperava abater um milhão de animais  dos confinamentos, mas o número estimado caiu para 800 mil. Confinar é saber fazer as contas. O preço da arroba e os custos operacionais estão fora de compasso, este ano está mais difícil fazer previsões.
Na região sudeste de Goiás, o boi magro para reposição no confinamento se mantem estável para reposição entre 160 170 reais a arroba, comparando com o ano passado, mas os custos aumentaram entre 30 e 40 por cento para alimentação do boi nesta época. Por isso ainda é difícil para o pecuarista fazer a programação de quantos animais vai confinar este ano. 
"Temos gado para engordar no confinamento, mas faltam dois meses pra fechar o gado e ainda não sabemos se vamos fechar ou não, porque se continuar o milho neste preço que é de 45 reais da nossa região não compensa fechar o gado a uma arroba a 145 que é o que prevalece na nossa região. Hoje nós não damos conta porque vai fazer uma diária de 8 reais por dia e não fecha a conta", conta o pecuarista Acrizio Diniz Junqueira Filho. 
O pecuarista Leonardo Carvalho dos Santos confinou no ano passado 2000 animais, 1500 no confinamento e 500 no sistema de semi confinamento. Teve um lucro médio de 150 reais por animal, mesma rentabilidade de 2014. Agora a programação vai depender do tamanho da safrinha de milho.
"Vai depender muito do clima se continuar chovendo bem igual está  tende a produzir mais grão então tende  o preço a cair um pouco então quando estiver garantido esta produção que vai ter ai vamos soltar um preço novo pra milho sorgo e farelo de soja outros ingredientes que surge então a partir disso que vou definir se vou confinar e quantos animais vou confinar", afirma.
Leonardo faz as contas do preço da arroba que está oscilando e os custos operacionais.
"O boi de 145, 147 que nem a gente estava vendendo a uma semana, duas semanas atrás, se tava bancando seus custos, estava sendo razoável, você não estava ganhando dinheiro mas você tava num período que a comida estava muito cara 30, 40 por cento, se você tava empatando o negócio, agora com boi voltando a 140 já fica inviável o boi no cocho a 8,50 a diária. Fica inviável", finaliza.
Alguns frigoríficos apostam na parceria com os pecuaristas confinando os bois como prestação de serviço em troca de diárias, o boitel. No ano passado a diária estava em torno dos 7 reais, hoje já passa dos 9 reais.
"Normalmente é feito na base da cobrança de diária  o confinamento é gerido pela JBS, mas a gente recebe gado de terceiros a gente não entra comprando o gado e colocando animais em confinamento estamos prestando serviço que é cobrado quase sempre na forma de diárias  pelos dias que o gado passa no confinamento mas isso tem  modelos de parcerias de divisão do ganho são mais específicos", relata Fábio Dias, diretor de relações com pecuaristas da JBS.
O consultor Gustavo Figueiredo, da Agrifatto Análise e Decisão, explica que os pecuaristas estão inseguros em programar o confinamento não só pelos custo alto, mas porque a pressão nos preços da arroba  para baixo veio com  a necessidade de ajuste dos frigoríficos que reduziram o ritmo dos abates.
"Os frigoríficos diminuíram o abate deles para poder ajustar a margem que estava totalmente negativa que ele não conseguiriam sobreviver mais um mês dois meses três meses com margem negativa e não tem nenhuma indústria que consegue sobreviver com margens negativas", conclui.
 
Fonte: Canal Rural