São Paulo, 25 – O diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec), Fernando Sampaio, informou que nove unidades frigoríficas de produção da proteína – seis da JBS, duas do Minerva e uma da Marfrig – foram impedidas de vender à Rússia a partir de 2 de outubro. ‘De tempos em tempos, as autoridades sanitárias russas decidem colocar restrições temporárias ou maiores controles às unidades brasileiras. Mas a decisão de embargar essas nove plantas foi decorrente da última visita que eles fizeram ao País, em julho’, disse Sampaio em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.
 
Ele explicou que, em relatório que está com o Ministério da Agricultura, as autoridades russas apontam que há ‘inconformidade com as normas sanitárias do país’. ‘Eles descrevem o que ocorre com cada unidade. O que deu para perceber, num aspecto geral, é que eles citam bastante a questão do uso da ractopamina, mas há outras ‘inconformidades”, declarou Sampaio. Hoje, há 56 unidades habilitadas para vender à Rússia, mas somente 14 – com o embargo atual – estão totalmente liberadas para o envio de lotes ao país.
 
Sampaio disse que ainda não é possível calcular o impacto nas vendas do setor. UM dos motivos é que as empresas do setor são bem diversificadas geograficamente e podem atender ao mercado russo via outras plantas. A segunda é que ao mesmo tempo em que há uma quantidade expressiva de restrições às unidades, a Rússia aumentou a cota destinada às exportações brasileiras de carne bovina. ‘Parece contraditório, mas a Rússia dá cota para a Europa, Estados Unidos e outros países. O Brasil se encaixa nessa cota de ‘outros países’, a qual houve um aumento da tonelagem’, disse.
 
Sampaio ainda explicou que a Abiec está pedindo ao Ministério da Agricultura que reitere as garantias sanitárias que foram dadas aos russos na época das visitas das autoridades do país e que brigue por uma reversão da decisão o mais breve possível. ‘A Rússia já avisou que independente de estar na Organização Mundial de Comércio (OMC, na sigla em inglês) vai continuar usando as suas regras de comércio. O Brasil é quem tem que mostrar a equivalência nesse assunto’, enfatizou.
Fonte: Agência Estado/Portal G1