Criado em 1952, a trajetória do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social se confunde com a história econômica do Brasil.  Ao longo das décadas de 1950, 1960, 1970, o país adotou um modelo centralizado de desenvolvimento, fundado em estratégias de substituição de importações, que eram executadas, sobretudo, por meio das empresas estatais, isto é, as denominadas “bras” dentro outras, Petrobras, Eletrobras, e Telebras. Neste período, O BNDES concentrou o seu trabalho, inicialmente, nos setores de transporte e energia, e posteriormente, nas áreas da indústria de base.
 
A denominada “Década perdida”, nos anos 1980, foi marcada pela falta de crescimento econômico, moratória da dívida e hiperinflação. Diante deste quadro econômico adverso, o banco sofreu uma redução da sua capacidade de investimento. É bem verdade que a constituição de 1988 recuperou o papel estratégico do banco ao determinar que ao menos 40 por cento dos recursos coletados pelo FAT fossem canalizados para investimentos do banco em projetos relacionados à criação de trabalho e renda.
 
Na década de 1990, o Brasil trilhou um caminho de abertura econômica e de fortalecimento do setor privado. Neste momento, o BNDES assume um papel fundamental no processo de privatizações de empresas. Já nos anos 2000, o BNDES aumenta a sua participação na concessão de crédito à industria e a à infraestrutura. Após a eclosão da crise financeira global, em 2008, o banco assume uma posição estratégica nas chamadas políticas anticíclicas, incluindo diversas ações de fomento às atividades de produção e consumo para compensar os desequilíbrios macroeconômicos.
 
Atualmente,o BNDES é um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo. No primeiro semestre de 2014,o BNDES lucrou R$ 5,47 bilhões,ou seja,o maior lucro da sua história.No entanto,o papel do BNDES na promoção do desenvolvimento nacional é cada vez mais criticado por diversos setores da sociedade brasileira.
 
Por um lado,uma parcela significativa dos movimentos sociais alega que a instituição financeira causa exclusão social e degradação ambiental,principalmente nas atividades de fomento a grandes obras de infraestrutura,dentre outras,as hidrelétricas e rodovias.Por outro lado, vários atores econômicos reclamam que o banco segue a lógica “pickthewinner”por meio da qual o banco escolhe os vencedores,vale dizer,as empresas brasileiras que irão competir internacionalmente,em detrimento das pequenas e médias empresas,que permanecerão à mercê dos altos juros cobrados pelos bancos comerciais. O BNDES refuta as mencionadas críticas.
 
O banco alega que o financiamento de obras está sempre condicionado à obtenção das licenças ambientais.Além disso, a instituição financeira sustenta que aproximadamente 97 por cento das suas operações são com empresas pequenas e médias. Infelizmente,o BNDES não divulga todas as suas relações bancárias.Em virtude disso,é impossível elaborar qualquer conclusão a respeito da eficiência do banco na promoção do desenvolvimento nacional.Ora,não se espera que o banco apenas exija as devidas licenças ambientais dos seus clientes.
 
 A sociedade brasileira gostaria que o BNDES estivesse efetivamente engajado nas dinâmicas do setor privado para a promoção do desenvolvimento sustentável. Neste sentido, percebe-se que o BNDES ainda não enxergou devidamente a importância estratégica do setor de reciclagem de produtos de origem animal para a promoção de um novo modelo de desenvolvimento que possa integrar as dimensões econômicas, sociais e ambientais. É evidente que o setor de reciclagem animal deveria ser incluído no rol das áreas prioritárias do BNDES,pois as atividades das indústrias de graxaria estão perfeitamente afinadas com as linhas de atuação que o banco aponta como prioritárias.
 
Com efeito,as indústrias de farinha de carne e osso,ao executarem as suas ações de reaproveitamento e reciclagem dos resíduos não comestíveis dos frigoríficos, geram diversos efeitos positivos à sociedade brasileira, dentre outros, a proteção da saúde pública e da qualidade ambiental.Conclui-se que o setor deveria ter pleno acesso aos incentivos creditícios do BNDES, pois assim as indústrias de graxaria poderiam adorar novas tecnologias,ditas eco eficientes. Se a agenda do BNDES do século 21 é a agenda da competitividade e da sustentabilidade, o setor de reciclagem de produtos de origem animal deveria ser visto como um dos setores prioritários dentro de uma linha moderna a de atuação do banco.
 
Fonte: Revista Brasileira  -edição Setembro/Outubro – página 48.