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Não vai ser apenas no complexo soja que os avanços esperados para a indústria do biodiesel ao longo dos próximos anos serão sentidos.
 
No segmento de reciclagem animal – responsável pelo fornecimento de sebo bovino e de outras gorduras animais – os impactos tendem a ser até mais transformadores. Embora o mix de matérias-primas das usinas brasileiras seja, inegavelmente, dominado pelo óleo de soja. A gordura animal – com destaque para o sebo bovino – tem dado contribuições essenciais para o avanço do biocombustível. Desde que apareceu pela primeira vez nas estatísticas publicadas pela ANP em 2006, o volume de biodiesel fabricado com esses insumos se multiplicou quase mil vezes. Saindo de 816 mil litros para 738,9 milhões de litros em apenas 10 anos.
Não quer dizer que a relação não tenha seus focos de tensão. Nos primeiros seis meses desde ano, a gordura animal respondeu por pouco mais de 330 milhões de litros de biodiesel – cerca de 17,7% do total fabricado no período. É um resultado um pouco abaixo do registrado no mesmo período do ano passado quando a produção a partir dessa classe de matérias primas somou 367 milhões de litros o que correspondeu a 19,5% das compras de matérias-primas das usinas.
Ainda assim, foi a demanda criada pelo biodiesel que impulsionou o processo de profissionalização nas empresas do setor de rendição nesses últimos anos. Um processo que pode se acelerar ainda mais nos próximos anos conforme a produção de biocombustível avance para novos patamares.
Esse tema será abordado na palestra “Os impactos do B10 no mercado de gordura animal” que será ministrada pelo coordenador técnico da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), Lucas Cypriano, que está marcado para o segundo dia da Conferência BiodieselBR 2016.
Zootecnista formado em 1998 pela Unesp, há cinco anos Cypriano se tornou uma das vozes mais importantes no segmento de reciclagem animal. Trata-se de um setor em franco desenvolvimento puxado tanto pela ascensão na demanda trazida pelo biodiesel quanto próprio crescimento e consolidação pelos quais mercado de proteínas animais vem passando no Brasil.
De 1960 até hoje, a produção brasileira de carnes já se multiplicou por 15. Nos últimos 10 anos, o avanço foi de 18,5%. E as perspectivas continuam positivas. Dados da Fiesp indicam um crescimento de 22,5% até 2025 com 31,7 milhões de toneladas de carnes produzidas. Ou seja, não está exatamente faltando gordura animal no mercado.
E o setor de rendimento vem se organizando para tentar aumentar o aproveitamento dessa matéria-prima. Segundo as contas da Abra, todos os anos 1,7 milhão de toneladas de carcaças animais que morrem naturalmente antes do abate acabam sendo simplesmente descartados. Se esse material todo pudesse ser aproveitado em mercados não alimentares seria possível fabricar outros 490 milhões de litros de biodiesel a partir de gordura animal.
A programação completa da Conferência está disponível aqui e o cadastro para participar pode ser feito aqui.
 

Fonte: BiodiselBR