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O diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero Meirelles, afirmou que qualquer política de incentivo ao crédito será inócua enquanto a economia não recobrar o fôlego e a confiança for restabelecida. A avaliação contraria a estratégia que vem sendo adotada pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que tem priorizado ações de curto prazo para reativar a economia na injeção de crédito.
Segundo Meirelles, "não há apetite dos bancos, públicos e privados, para ampliar crédito. Não há demanda. O sistema tem liquidez, tem folga de capital. Diria que acho que o estímulo ao crédito pode funcionar num momento de recuperação do ciclo, de recuperação da confiança. Fora isso, acho que não tem demanda por crédito."
Nesta quinta (7), o BC divulgou o Relatório de Estabilidade Econômica, publicação semestral, a qual aponta que o brasileiro está tomando menos empréstimos e cada vez menos tem conseguido honrar suas dívidas em dia.
Para o diretor, essa situação reflete o baixo nível de confiança das pessoas e das empresas na economia e não é problema de oferta. Um mês depois de assumir a Fazenda, em janeiro, Barbosa anunciou pacote de destravar R$ 83 bilhões em crédito, como forma de reanimar a economia. A defesa da Fazenda, contestada pelo BC no relatório, é resgatar a atividade econômica via recuperação do crédito, usando melhor recursos existentes na economia. Para Barbosa, há demanda em setores específicos, como crédito habitacional e para capital de giro das empresas. Para o Banco Central, o mercado de crédito passou a sentir com mais intensidade o revés na atividade econômica a partir do segundo semestre de 2015.
Segundo a publicação, os bancos privados reduziram em 8,2% a concessão de crédito no ano passado, e bancos públicos, vetor das políticas públicas de incentivo ao crédito, tiveram crescimento quase nulo, de 0,2%. Na média, houve retração de 3,7% no estoque de crédito, já descontada a inflação. A inadimplência das operações de crédito no país chegou a 3,4% em dezembro do ano passado. Um ano atrás, esse índice estava em 2,9%.
 
Fonte: Folha de São Paulo