Dois dias após a presidente Dilma Rousseff pedir à ua nova equipe econômica para fazer o "que for reciso" para retomar o crescimento econômico, o anco Central afirmou só ter um mandato, que é assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda. Ao apresentar as novas projeções para PIB e inflação em 2015 e 2016, o diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, afirmou nesta quarta-feira (23) que as taxas de juros vão subir quando e se o Copom (Comitê de Política Monetária) julgar necessário, mesmo em um ambiente de atividade fraca. 
Disse ainda que a estratégia da instituição é restringir a inflação de 2016 ao limite de 6,5% e colocar o IPCA em 4,5% em 2017. Questionado sobre pressões políticas para baixar juros, diante da queda na atividade e do aumento do desemprego, Altamir afirmou que a inflação é tão ruim ou pior que esses problemas. 
"Se você conseguir fazer um ajuste e trazer a inflação para a meta, os ganhos para a sociedade são muito maiores", afirmou. 
"O nosso mandato em relação à inflação é um só. É trazer a inflação para a meta. Temos determinação, compromisso, autonomia e instrumentos para agir. E vamos agir se necessário", disse o diretor. 
Para o BC, apesar do aumento do desemprego, os reajuste salariais ainda representam uma ameaça à inflação. Altamir disse ainda que a inflação e outros fatores que causam incertezas, de natureza política e fiscal, atrapalham o processo de recuperação da economia. 
"O empresário está louco para investir. O que a gente precisa é só recompor a confiança, tanto de consumidores quanto de empresas, para esse processo andar." Sobre a possibilidade de moderar o ajuste fiscal e monetário para favorecer o crescimento, Altamir disse que o processo poderia ser "um pouco menos dolorido", mas implicaria em um período mais longo de sofrimento. 
fonte  FOLHA DE SÃO PAULO