Skip to main content

Brasil tem potencial para crescer na demanda interna e nas exportações do setor, mas também esbarra em licenciamento ambiental e tributos; saldo foi deficitário em US$ 536 milhões até julho
 
Se as estimativas mais recentes da FAO se confirmarem, o Brasil será o país com a maior expansão vista no mundo, até 2025, na oferta de pescados. Só pelo tamanho da costa marítima e a dimensão dos rios nacionais, não é difícil de acreditar nesta possibilidade, mas muitos entraves estão no meio do caminho. Para a entidade internacional, de acordo com o relatório "O Estado Mundial da Pesca e Aquicultura 2016 (Sofia)", a produção pesqueira tende a chegar a 1,9 milhão de toneladas, contra a média de 1,3 milhão observada entre 2013 e 2015, ganho de 48,6%. Nos próximos nove anos, a aquicultura (que compreende todas as criações aquáticas em cativeiro) passará de 560 mil toneladas para 1,145 milhão.
Ontem, representantes de todos os elos da cadeia se reuniram na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em função da ‘Semana do Peixe’ que, apesar do nome, teve início no dia 1º e vai até o dia 15 deste mês. Entre diversas demandas, dois gargalos faziam parte do consenso: falta estrutura normativa para reduzir a burocracia da cadeia e baixar custos de produção passando por questões tributárias e no licenciamento ambiental; e o consumidor final não sabe o que compra e não compra (mais) porque não sabe. 
"Não temos nem uma estatística que possa me dizer exatamente quanto é a minha produção. Não temos informações consolidadas", destaca o secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Dayvson Franklin de Souza. Esta carência dificulta o aprofundamento nos debates necessários para a formação de políticas
públicas. Ações coordenadas podem colaborar na reeducação da sociedade e fomento do consumo. "Segundo a FAO, deveríamos consumir 14 quilos [de pescado] per capita, ainda estamos na casa dos 9 quilos por pessoa ao ano", diz Souza, sendo que cerca de 60% da demanda é de importação. O levantamento da entidade internacional publicado em julho indica que o consumo per capita do brasileiro deve chegar a 12,7 quilos em 2025.
Apesar do menor período de conservação, a preferência é por produtos frescos. A indústria de congelados sofre com experiências negativas que o consumidor já teve, como a diferença entre o volume descrito na embalagem e a quantidade real do alimento. 
Soma-se a isso a extinção de uma pasta dedicada ao setor no governo federal, durante a última reforma ministerial ocorrida neste ano. A variedade de espécies de peixes e organismos aquáticos, com técnicas de criação distintas, justificaria a necessidade de um Ministério, para o secretário do Mapa, uma vez que o País tem o papel de alimentar o mundo no longo prazo. "Tenho conversado com o ministro [da Agricultura, Blairo Maggi] e tenho certeza que conseguiremos mais espaço para trabalhar dentro da pasta", enfatiza, apesar de admitir que o fim do Ministério da Pesca impactou a cadeia.
"Essas mudanças prejudicam a imagem da indústria pesqueira. Quando isso se firmar, tudo será visto com mais clareza", acredita o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Fiesp, Roberto Imai, quando questionado sobre a penetração do produto nacional lá fora. Entre os meses de janeiro e julho, o saldo comercial do setor ficou deficitário em US$ 536 milhões,
contra o mesmo período de 2015. Em volume, o déficit foi de 203 mil toneladas. As exportações cresceram 17,1% e 27,3% em valor e volume, respectivamente. Do outro lado, as compras externas caíram 14,9% no faturamento, muito pressionado pela queda no preço médio, que ficou em 21,7% no intervalo avaliado. Mesmo com o dólar relativamente alto, o volume das importações subiu 8,8%. 
 
Fonte: DCI