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 Crescimento contínuo da demanda mundial por carne de frango mantém mercado aquecido; mesmo com aumento de custos, setor deve ter desempenho igual a 2011

 
Mesmo em um ano considerado de crise, marcado pelo aumento significativo dos custos de produção, a avicultura brasileira não deve apresentar recuo produtivo. No balanço anual, a estimativa é de que o setor tenha desempenho similar ao de 2011. A avaliação é do diretor comercial da Nutron Alimentos, Cidinei Miotto, que ministrou uma palestra sobre as perspectivas do setor durante o VI Encontro Técnico Unifrango, realizado ontem e quarta-feira em Maringá.
 
No último trimestre, houve uma recuperação nos preços do frango – resultado da redução da oferta promovida a partir do meio do ano – e, com isso, as empresas saíram do prejuízo. Segundo Miotto, a valorização dos grãos já passou pelo momento mais forte e a previsão para o início de 2013 é de um cenário positivo, com estabilidade no preço do frango a um patamar mais elevado e maior controle da cotação dos grãos. Com a estabilização dos preços, a estimativa para os próximos anos é expansão de 3% na atividade no País.
 
Nos últimos 15 anos, o Brasil adquiriu papel de destaque no mercado mundial de frango. Em 1997, o País era responsável por 5% da produção mundial e hoje já responde por 30% do mercado avícola global. ”Esse crescimento foi suportado pelo aumento do consumo interno e externo e, de agora em diante, a expansão deve se manter, mas em ritmo menor”, analisa. A estimativa do diretor comercial é de que a produção no Paraná também continue em ascensão, graças à concentração de empresas com capacidade produtiva, à presença de produtores tecnificados e à ampla oferta de grãos.
 
Segundo ele, o Brasil continuará um forte player no mercado internacional em longo prazo devido à grande oferta interna de grãos, à qualidade de mão de obra, ao grande número de empresas e também à contínua expansão da demanda mundial por proteína animal. Miotto afirma que a previsão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) é de que a produção mundial de frango cresça 26% até 2020, passando ds atuais 100 milhões de toneladas para 125 milhões, motivada principalmente pelo aumento do consumo na Ásia. De acordo com o diretor comercial, fatores como sustentabilidade, bem-estar e sanidade animal estão cada vez mais presentes nos hábitos de consumo moderno e, portanto, a cadeia produtiva precisa se organizar para atender a essas exigências.
 
Para as empresas, Miotto alerta que é preciso desenvolver estratégias para acompanhar o mercado de matérias-primas, observando a cadeia produtiva como um todo. ”Estabelecer alianças com outras empresas pode ser uma alternativa para se preparar melhor para momentos de crise, como o ocorrido este ano”, orienta, afirmando que a tendência para os próximos anos é de que o mercado de grãos continue instável.
 
Toda a programação técnica do evento foi elaborada com o objetivo de capacitar os participantes para incrementar a produtividade do setor. Biosseguridade, sanidade avícola, redução de custos e controle de processos foram alguns dos temas abordados. ”Melhorar a eficiência alimentar para minimizar perdas é a meta de produtores e empresas para potencializar a produtividade e tornar a avicultura viável mesmo diante do aumento dos custos”, ressalta Miotto.
 
O encontro, que reuniu cerca de 800 representantes da cadeia produtiva, foi promovido pelo Grupo Unifrango, em parceria com o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) e Sindicato das Industrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).
 
Mariana Fabre