As exportações australianas de carne bovina à Rússia estão sob pressão considerável pela competição com a carne brasileira, à medida que a Rússia começa a liberar suas limitações de acesso à oferta da América do Sul.

 
Dados comerciais recentes do Departamento de Agricultura, Silvicultura e Pesca (DAFF) da Austrália para o ano fiscal de 2011-12 mostraram que as exportações australianas à Rússia caíram 35% com relação ao ano anterior, embora essa queda tenha sido com relação a níveis historicamente altos em 2010-11. As exportações no último ano fiscal para a Rússia caíram para 46.700 toneladas.
 
Para o mês de julho, as exportações australianas à Rússia alcançaram somente 2.035 toneladas, 50% a menos que no ano anterior. Esse foi o menor volume de carne bovina exportada pela Austrália à Rússia em julho desde 2006 e uma indicação das condições difíceis que estão sendo enfrentadas no mercado. As exportações de carne bovina processada registraram a maior queda em volume, caindo quase 10 vezes no mês, para apenas 136 toneladas.
 
Em contraste, os fornecedores sul-americanos, particularmente o Brasil, novamente aumentaram sua presença como fornecedores, às custas da Austrália. Além disso, o Brasil tem uma tarifa preferencial sobre a Austrália nas vendas à Rússia. As exportações brasileiras à Rússia aumentaram 27,3% com relação ao ano anterior em julho, para 22.952 toneladas. Apoiando o aumento esteve a redução de 2,7% com relação ao mês anterior no preço de exportação da carne brasileira, que ficou em média em US$ 4,54 por quilo.
 
Há duas semanas, inspetores veterinários russos completaram outro grupo de inspeções em plantas de carne no Brasil em meio a esperanças de que mais exportadores brasileiros possam em breve retomar o acesso total a um dos mais importantes mercados de exportação. Entretanto, apesar do otimismo vindo do Ministério da Agricultura brasileiro, estão surgindo novas diferenças sobre o uso do controverso aditivo na ração, ractopamina, que já foi motivo de limitações anteriores às exportações do Brasil.
 
Depois das últimas inspeções que envolveram 20 plantas de carne em seis estados brasileiros, autoridades do país disseram que acreditam que os dois países estão próximos de resolver as questões que prejudicaram o comércio nos últimos 12 meses. Apesar da recente decisão do Codex de permitir a ractopamina sob certos limites máximos residuais (MRLs), notícias sugerem que a Rússia está pronta para assumir uma postura de linha dura sobre essa questão.
 
A autoridade veterinária Rosselkhoznadzor disse que recomendaria a suspensão das importações de todos os produtos animais de fazendas brasileiras que usam ractopamina. A União Europeia (UE) assumiu uma posição similar. O Ministério da Agricultura do Brasil disse que está fazendo um plano para apresentar à UE e à Rússia que deverá acalmar os receios, usando um “sistema de divisão” que forneceria garantias de que a carne brasileira ao mercado russo está livre do aditivo.
 
A ractopamina não é registrada para uso na produção de carne bovina na Austrália, fornecendo liberdade irrestrita nas exportações aos mercados da Rússia e da UE.
 
A reportagem é do Beefcentral.com, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.