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Líder mundial na exportação de carne, o Brasil é um dos principais países credenciados a saciar o apetite por proteína animal de mercados asiáticos e africanos na próxima década. O crescimento da população em centros urbanos, aliado ao aumento de renda dos trabalhadores, fará com que a demanda por aves, bovinos, suínos e ovinos cresça em ritmo maior do que a por produtos agrícolas, de agora até 2023, segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
 
 
O índice de insegurança alimentar no mundo vem diminuindo a cada ano, com milhões de pessoas saindo da linha da pobreza e passando a consumir carne, leite, ovos e derivados —  ressalta Gustavo Chianca, representante assistente da FAO no Brasil.
 
 
Na pecuária de corte, ainda com volumes pequenos destinados à exportação, o Rio Grande do Sul tem na genética e na qualidade da carne trunfos para se beneficiar. Nesta semana, a agropecuária gaúcha ganha evidência com o início da 37ª Expointer, uma das principais feiras do setor. O evento, no parque Assis Brasil, em Esteio, começa no próximo sábado, atraindo olhares de dentro e fora do país.
Para aumentar a produção de carne será necessária maior quantidade de grãos e, consequentemente, mais insumos. É um eixo de crescimento e desenvolvimento que poderemos aproveitar —  avalia Antônio da Luz, economista da Federação da Agricultura do Estado.
 
 
Com um rebanho bovino de 208 milhões de cabeças, o dobro dos Estados Unidos, o Brasil tem produção menor do que os americanos. O dado é suficiente para quantificar o quanto é possível aumentar a eficiência da pecuária brasileira, maior exportadora de carne de gado do mundo. Além de produzir mais por hectare, o país ainda precisa que o seu sistema sanitário ganhe confiança em mercados mais exigentes. Das 9 milhões de toneladas de carne produzidas por ano, o Brasil exporta menos de 20% desse volume para mais de 170 destinos.
 
 
Com predomínio de raças britânicas no campo, o rebanho gaúcho é desfavorecido quando o assunto é volume de produção. O rebanho bovino no Rio Grande do Sul é de cerca de 13 milhões de cabeças.
 
 
Há anos não aumentamos nosso rebanho, que vem perdendo cada vez mais espaço para os grãos. Por isso, a saída é aumentar a produtividade — ressalta Gedeão Pereira, vice-presidente da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul).
 
 
Pecuarista em Aceguá, na fronteira com o Uruguai, Ronaldo Jacintho Cantão, 55 anos, dobrou a produtividade em 15 anos ao investir em pastagens adubadas, na definição de raça e no manejo adequado. De lá para cá, a produção de 80 quilos por hectare saltou para 166 quilos por hectare. A média no Rio Grande do Sul é de 70 quilos por hectare.
 
 
Não é um trabalho que se faz de um dia para o outro. Comecei com 15 hectares de pastagem adubada e hoje são mais de 500 hectares — explica o pecuarista, que administra a Estância Formosa ao lado dos irmãos Flávio, 60 anos, e Aloísio, 42 anos.
 
 
Há 10 anos, os irmãos investiram em rastreabilidade e hoje têm todo o rebanho angus de 1,7 mil cabeças voltado à cria, recria e terminação identificado. A produção é vendida para frigoríficos exportadores que oferecem até 8% a mais pelos animais.
 
 
A rastreabilidade é um coringa, ajuda na valorização do produto e na gestão da propriedade — acrescenta Cantão.
 
 
Fonte: Jornal Zero Hora, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.