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“Já investimos cerca de 6 milhões e meio de reais para a aquisição de novas máquinas, galpões, caminhões e melhorias em nossa infraestrutura”, Renato Marciliano Jorge.

Por Lia Freire

Com a experiência de quem está há mais de duas décadas no setor de graxarias e
desde 2007, juntamente com Gilberto Gavioli Villas, comanda a Granvitória Alimentos, Reciclagem, Indústria e Comércio de Subprodutos Bovinos Ltda, Renato, em entrevista exclusiva à Revista Graxaria Brasileira conta sobre a trajetória da empresa, uma das mais  importantes do Espírito Santo, destaca as principais conquistas, analisa as tendências  e particularidades do setor e fala sobre o futuro dos negócios. “Em nosso mercado ainda nos deparamos com muita falta de informação. O próprio governo e a sociedade não entendem a atividade e a importância de uma Fábrica de Produtos Não Comestíveis (FPNC). O cenário já melhorou bastante, inclusive não temos tantos aventureiros como antigamente, mas ainda há muito o que fazer, por isso, é preciso a união do setor para que juntos consigamos novas melhorias e benfeitorias”, resume.

“Acredito que o principal diferencial da Granvitória esteja na proximidade com a comunidade, fornecedores e clientes.”

Revista Graxaria Brasileira – Nos conte a sua atuação no mercado de graxarias.
Renato Marciliano Jorge – Atuo no setor há mais de duas décadas. Gerenciei uma empresa em Minas Gerais e depois no Rio de Janeiro, onde conheci meu sócio, Gilberto Gavioli Villas.
No ano de 2007 surgiu à oportunidade de comprarmos a planta da Vitagro Agroindustrial, uma empresa que estava no mercado havia mais de quatro décadas e passava por dificuldades. A partir de então, teve início a história da Granvitória Alimentos.

Revista Graxaria Brasileira – Qual era a estrutura inicial da companhia? E hoje, como estão estruturados?
Renato – Localizada em Fundão, no Espírito Santo, na época da Vitagro eram 22 funcionários e uma capacidade diária de processamento que girava em torno de 30 a 35 toneladas,
existindo uma coleta dos subprodutos altamente centralizada e ineficiente. Hoje, temos 87 colaboradores, fizemos investimentos e adequações, saltando para uma capacidade diária de
processamento de 300 toneladas.
Atualmente, trabalhamos com praticamente todos os frigoríficos em um raio de 500 km, lembrando que o Espírito Santo, hoje em dia, é um importador de carne ao invés de
exportador como antigamente. Por este fato, a Granvitória trabalha com 50% de sua capacidade de produção.

Revista Graxaria Brasileira – Houve alguma mudança no foco de atuação da empresa da época da Vitagro para a Granvitória Alimentos?
Renato – Mantemos uma forte atuação no Espírito Santo, que conta com uma grande produção de frango, realizada em sua grande maioria por pequenos produtores. Em nosso Estado é baixo o consumo de sebo, por isso, focamos a sua venda no Nordeste do país, especialmente Recife e vez ou outra São Paulo. Já a farinha, uma boa parte é consumida em nossa região, algo em torno de 60% a 70% da produção.

Revista Graxaria Brasileira – Hoje, o principal negócio da Granvitória Alimentos provém de que área?
Renato – Somos uma indústria de transformação de subprodutos bovinos em farinha de carne e ossos. E, agora, entramos em um novo projeto que é a captação de óleo de fritura, que também será usado na fabricação de sabão e de biodiesel. Iniciamos em nossa região uma grande campanha para que todos separem este óleo e iremos coletá-lo. Com isso, iremos aproveitar melhor a capacidade industrial instalada na Granvitória e daremos um destino ecologicamente correto a mais um tipo de resíduo.

Revista Graxaria Brasileira – Quais as principais conquistas até hoje obtidas pela Granvitória?
Renato – Hoje temos uma graxaria 100% regularizada. Pelo município somos reconhecidos como uma empresa de “interesse público”. Todos os resíduos são coletados e destinados
adequadamente, investimos fortemente no tratamento de efluentes e gases. Também é importante destacarmos a nossa participação ativa na comunidade, diferente da gestão anterior que mantinha distância. Com a parceria da prefeitura temos uma escola para nossos colaboradores (alfabetização de adultos) e seus familiares. Levamos educação à comunidade, qualificamos a mão de obra e valorizamos os nossos funcionários. Desde que estamos à frente da Granvitória não temos uma ação trabalhista, procuramos nos relacionar de forma leal com a comunidade. Participamos das comemorações da cidade, promovemos festas como do Dia das Crianças, na última reunimos mais de 500 pessoas. Hoje temos uma relação respeitosa, muito tranquila e agradável.

Revista Graxaria Brasileira – O que diferencia o trabalho da Granvitória das demais graxarias?
Renato – Acredito que o principal diferencial esteja exatamente nesta proximidade com a comunidade, fornecedores e clientes. Todos são considerados parceiros, por isso, o nosso atendimento e atuação são realmente diferenciados. Antes, a comunidade entorno da Granvitória era mantida distante e via a empresa como uma entidade a ser combatida, sendo comum as denúncias anônimas. Hoje, nossos vizinhos têm orgulho da companhia, pois reconhecem nela um papel social de grande relevância. Os clientes e fornecedores têm em nós um parceiro para ajudar a resolver todos os seus problemas. Estudamos as dificuldades do
setor, promovemos assessoria para o mercado, inclusive na área ambiental, campanhas de saúde pública, etc.

 
Hoje , a Granvitória possui 87 colaboradores e capacidade diária de processamento de 300 toneladas.

Revista Graxaria Brasileira – Quais os últimos investimentos da empresa?
Renato – Já investimos nos últimos anos, cerca de 6 milhões e meio de reais para a aquisição de novas máquinas, galpões, caminhões e melhorias em nossa infraestrutura.

Revista Graxaria Brasileira – Na sua análise, qual o panorama do setor brasileiro de graxarias?
Renato – Por sermos um dos maiores produtores mundiais de carne, obviamente temos uma das maiores produção de farinha e sebo do mundo, consequentemente há muito trabalho a ser feito. É fundamental a atuação de entidades como a ABRA – Associação Brasileira de Reciclagem Animal e SINCOBESP – Associação Brasileira de Reciclagem Animal para fortalecer a atividade, buscar novas tecnologias, novos mercados, unir forças, pleitear políticas mais adequadas, facilidades em créditos, a regularização do setor, etc. Existem, por exemplo, graxarias registradas como varejista, indústria de ração e revendedor de produtos agrícolas. Não temos ao menos uma identidade junto ao governo.
Nos últimos 20 anos, tivemos muitos avanços em termos de qualidade do produto final e em tecnologia. E novos horizontes vão sendo delineados. A gordura, por exemplo, antes destinada exclusivamente à produção do sabão, agora é usada como combustível nas caldeiras e no biodiesel, conferindo uma nova perspectiva de negócios. Existe mercado para absorver toda a sua produção. Houve um salto gigantesco na segurança sanitária das farinhas de origem animal, que compõem diversas formulações de rações, tornando-as de alta qualidade nutricional e mais saudáveis. Além disso, atualmente a exportação de farinhas de origem animal é possível e viável.

Revista Graxaria Brasileira – Quais as principais evoluções que você sentiu no setor brasileiro de graxarias?
Renato – Ocorreram melhorias principalmente nos processos de industrialização. Antigamente, trabalhava-se com maquinários velhos (mais de 30 anos de uso), a produtividade era baixa e o custo alto. Hoje, os maquinários estão modernos e a mão de obra altamente qualificada. Além disso, os próprios subprodutos chegam às graxarias com muito mais qualidade. Se antes não havia uma coleta diária e juntamente com os subprodutos vinham lixos, conteúdo estomacal, etc. Hoje temos um cenário totalmente diferente e melhor!
De modo geral, o segmento está mais profissional, não havendo espaço para os aventureiros. Alcançamos um patamar muito bom, agora é mantermos e buscarmos o aprimoramento constante.

Revista Graxaria Brasileira – Onde estão os principais entraves para atuar no mercado?
Renato – Nosso setor é marcado por períodos de altos e baixos, que às vezes podem se prolongar mais do que o esperado. Estamos no elo de uma cadeia produtiva de alimentos, nossos negócios oscilam de acordo com o preço do boi, do frango, da soja, etc. Mediante este cenário é fundamental fazermos uma reserva de capital e não contrairmos dívidas ao menor sinal de melhorias no mercado. Cautela nunca é demais!

Revista Graxaria Brasileira – Quais os próximos objetivos da Granvitória?
Renato – Como disse anteriormente, o Espírito Santo é um grande consumidor e não produtor de carne. Vem ganhando força o plantio de cana-de-açúcar e as florestas de eucalipto. O
rebanho diminuiu e acreditamos que haverá uma forte tendência em incentivar melhorias no manejo e seleção dos bovinos, para que sejam mais produtivos, ocupando “menos espaço”. É por todos estes aspectos que a Granvitória vem explorando cada vez a coleta de óleo de cozinha, utilizando a matéria-prima para produzir sabão e biodiesel.

“O setor está mais profissional, não havendo espaço para os aventureiros. Alcançamos um patamar muito bom, agora é mantermos e buscarmos o aprimoramento constante.”

Revista Graxaria Brasileira – Qual é o futuro do mercado?
Renato – Analiso o futuro com entusiasmo e crescimento. Há muito o que explorar. No entanto, é preciso que cada vez mais os empresários deste ramo se unam para defender os
seus interesses, como políticas mais favoráveis, linhas maiores de crédito, incentivos fiscais, etc. Reforço que é fundamental divulgar o trabalho das graxarias para a sociedade. O nosso setor presta um serviço importantíssimo, destinando adequadamente milhões de toneladas de resíduos que iriam para o lixo e o pior, contaminariam o meio ambiente. Aqui na Granvitória convidamos políticos, empresários, autoridades, líderes religiosos, professores, estudantes, pesquisadores e toda a comunidade para conhecerem a nossa empresa e trabalho. É fundamental para o amadurecimento e fortalecimento do setor, mostrarmos e esclarecermos a importância da atividade de uma graxaria.

Fonte: Revista Graxaria Brasileira – Ano 5/Edição 26/Páginas 56 a 59 – www.editorastilo.com.br