Os números apresentados na categoria de sabão em barra refletem o hábito do consumidor brasileiro na lavagem de roupas e louças. O acesso à máquina de lavar contribuiu para a redução no consumo deste produto no país, já que os consumidores a partir desta aquisição migraram para categorias de maior valor agregado, portanto, a tendência é o setor se estagnar, já que há uma forte associação deste sabão com os cuidados com a roupa.
 
Segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla), os sabões em barra mantêm uma queda em se tratando de volume. No acumulado dos últimos cinco anos, cerca de 70 mil toneladas deixaram de ser comercializadas, sendo 30 mil toneladas só em 2011. Em faturamento, a queda no ano foi de -7%, um ponto percentual a menos do registrado em 2010.
 
Apesar da retração, o consumo por pessoa de sabão em barra no Brasil é de 1,28 quilo/ano, resultado ainda considerado positivo para os fabricantes que apostam em novidades para o segmento com fórmulas que remetam a “mais cuidado” com a família.
 
Na região, concentra-se o maior consumo de sabão em barra do País. A indústria Razzo, acrescenta ainda que os sabões em barras são também bastante consumidos em lares onde há crianças pequenas, já que muitos médicos-pediatras recomendam lavar as delicadas roupas de bebês com o produto para evitar possíveis alergias na pele. 64% dos consumidores preferem o sabão neutro, 2% sabão coco e 34% itens perfumados.
 
A compra é planejada e ocorre em média uma vez a cada mês, as classes C e D são as responsáveis pela maior fatia de vendas.
 
Não basta tirar a sujeira
 
Os sabões passaram de um simples produto de limpeza, cuja única função era a de eliminar a sujidade, para um item diferenciado, que teve incorporado à sua formulação vários tipos de aditivos, assumindo múltiplas funções, como por exemplo, o de antibactericida, branqueante e amaciante, além de apresentarem um cuidado especial com omeio ambiente. “A evolução do sabão em barra foi significativa nos últimos tempos, desde o processo produtivo até o nível de formulação. Aquele produto que apenas limpa, já não satisfaz a dona de casa, que busca também facilidades, inovações e cuidados com as mãos, por isso, as novas formulações destes sabões em barra estão muito mais elaboradas.
As tendências das empresas para este setor vão desde as mudanças nas embalagens, buscando a modernização, a inclusão nas formulações de aditivos que trazem maior benefício durante o uso, até o desenvolvimento de novas fragrâncias com notas mais atualizadas e conceito de perfumaria fina”, analisa Iriamar Viana dos Santos, da área de marketing da GR Higiene e Limpeza, que desenvolve os seus sabões a partir de gorduras animais (sebo) e também gorduras vegetais (soja e babaçu). Recentemente fez o lançamento de novas apresentações de formato e da linha flow Pack Barra.
 
“O mercado de sabões em barras vem enfrentando uma pequena queda com relação ao consumo, devido à grande concorrência de produtos de limpeza com maior praticidade e tecnologia, como os detergentes em pó, líquidos e, atualmente, com a grande novidade do mercado, os lava roupas líquidos, mas acredito que devido o seu baixo preço e a flexibilidade no uso (lavagem de roupas, utensílios domésticos e limpeza em geral), o sabão em barra continuará a ter o seu espaço no mercado e nas casas das consumidoras brasileiras”, opina Washington Gonçalves da Silva, da área industrial da GR Higiene e Limpeza.
 
Para o executivo uma das dificuldades enfrentadas pela indústria saboeira diz respeito ao fornecimento de matérias-primas e o seu alto custo. Como alternativa, a GR Higiene e Limpeza buscou parcerias com cooperativas de coletas de óleo e intensificou a parceria com a empresa Grande Rio Reciclagem Ambiental e, juntas, conscientizam a população sobre os males que a destinação incorreta de resíduos provoca ao meio ambiente. “Por meio do projeto de educação ambiental recolhemos óleo de fritura usado, que é transformado em matéria-prima para a produção do sabão pastoso Barra e BioBrilho.
 
Já a reciclagem de sebo animal gera como produto final o sabão em barra das mesmas marcas e da Bica. Desta forma, a GR Higiene e Limpeza e a Grande Rio Reciclagem Ambiental evitam que os resíduos gerem a poluição de afluentes e ainda transformam o que seria lixo em produtos biodegradáveis”, destaca Washington.
 
A Razzo, que segundo pesquisas da Revista Supervarejo, é a terceira marca de sabão mais conhecida nos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e a quarta em território nacional, procura atuar sempre inovando e melhorando os seus processos e produtos, acompanhando as novas tendências. A empresa produz sabão em barra 200g ou unitários: neutro, anil, coco e mais recentemente lançou o Tira-Manchas em barras, que através de suas partículas de oxigênio ativo, age diretamente nas principais manchas do dia-a-dia, como molhos, café, refrigerante etc, nas versões kilo ou 5 unidades de 200g: neutro, anil, lavanda, coco e limão. Também produz sabão da marca LevLav kilo: anil e neutro e todas as versões do sabão da Procter &Gamble: Ace. A Razzo inova em fórmulas que entregam branqueamento, perfume agradável e maior rendimento, com o intuito de oferecer produtos líquidos de alta qualidade.
 
Sabão ralado
 
Desde a sua fundação há mais de 18 anos, a Indústria de Sabão Geo – que tem forte atuação nos Estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal, regiões estas que segundo pesquisa do Instituto Nielsen, ocupam o segundo lugar na demanda por sabão em barra glicerinado, terceiro lugar em sabão de coco e terceiro em detergentes lava louças, – prima por ofertar um mix de produtos sustentáveis e ecologicamente corretos, atingindo todas as classes sociais.
 
A linha ecológica da empresa é formulada a partir de matérias-primas biodegradáveis como o sebo e não utiliza o processo de fabricação químico como os limpadores comuns. “Nossos produtos são feitos de sebo, uma matéria-prima natural e com rápida biodegradação, que não agride o meio ambiente e nem a pele do consumidor. Também não usamos derivados do petróleo na nossa produção. Chamamos o nosso sabão em pó de “sabão ralado” e não de detergente em pó, como as marcas que usam derivados de petróleo fazem”, afirma Márcio De Sousa Brito, diretor industrial da empresa.
 
A Sabão Geo segue um minucioso processo para o desenvolvimento dos seus produtos, começando pelas pesquisas de mercado, posicionamento de produto em relação à concorrência, seguido da definição de formulação e acompanhamento de testes em bancada, sendo que esta etapa é a mais lenta, já que as amostras ficam em observação durante seis meses de estabilidade induzida em condições extremas de temperatura e incidência de raios solares. Hoje, o portfólio da empresa é composto por lava louças disponíveis nas versões: clear, neutro, laranja, maça e ocean.
 
Na linha de lava roupa, como dito anteriormente, o produto é feito sem a adição de derivados de petróleo e polifosfatos, chamado de Sabão Geo Ralado, nas versões neutro e azul, em sachê de 1kg e cartuchos de 1 kg e 500 g. Para este mês de outubro estão programados os lançamentos do lava louças na versão coco e o lava roupa líquido, nas opções tradicional e coco. “Para os próximos anos, a Indústria de Sabão Geo planeja iniciar a sua atuação nas regiões Sudeste e Nordeste do País”, adianta Brito.
 
As versões pó e líquida ganham seu espaço
 
Os sabões para lavar roupa, pó e líquido, têmmaior consumo per capita dos últimos anos dentro dos lares brasileiros, segundo dados da Nielsen. No ano, cada pessoa consumiu 4,8 quilos do produto, em 2010 o consumo foi de 4,5 quilos ao ano. Apesar do percentual estável em volume na comparação com o ano anterior, o crescimento foi de 17% em volume e de 21% em faturamento nos últimos cinco anos.
 
Para esta categoria, a indústria tem investido em produtos com maior poder ativo contra as manchas e novas embalagens. Ao mesmo tempo, a categoria também conta com lançamentos de produtos líquidos concentrados, que vem aumentando sua penetração nos lares. Até agora, o segmento de detergente líquido representa em torno de 4% da categoria de sabão e detergente para roupas. Apesar de crescente, o consumo per capita brasileiro ainda é baixo na comparação com os outros países. A América Latina tem números que variam de 6 a 8 quilos per capita e a Europa chega a até 12 quilos por ano.
 
O executivo da Indústria Sabão Geo, Márcio De Sousa Brito, afirma  que o grande diferencial do lava roupa líquido em relação ao pó está em seu veículo.Enquanto este último usa barrilha e sulfato de sódio em pó como veículo (material responsável por acomodar o princípio ativo), no lava roupa líquido utiliza-se água. “Por não possuir esses veículos em pó em sua formulação, o lava roupa líquido promete lavar as roupas sem que estas sofram um desgaste excessivo e não percam as suas cores naturais. Em termos de poder de limpeza, a versão líquida não perde em nada para a em pó, pois os princípios ativos dos dois são semelhantes, já a quantidade do que realmente limpa, em alguns casos, o lava roupa líquido permite uma quantidade maior. Em relação ao lava louça, a tendência é cada vez mais oferecer produtos mais concentrados e de melhor performance”, exemplifica Brito.
 
Outro fabricante que atua para satisfazer as expectativas dos consumidores, com sabão de qualidade e preservando o meio ambiente é a Sincoplema – Sociedade Industrial e Comercial de Produtos de Limpeza do Maranhão, proprietária da marca LavaBem e tem como novidades o sabão glicerinado açaí e o sabão de coco especial. Complementando o seu mix, bastante difundido nas regiões Norte e Nordeste, há os sabões artesanais rajado azul e verde (uma especialidade da empresa que desde a sua fundação em 1986 os produz), o coco e especial, o glicerinado e o comum.
 
Para o Sincoplema, o desafio em 2013 concentrase em manter o crescimento nas vendas de sabões a uma taxa de 5%, como obteve neste ano durante janeiro a agosto, mesmo com a alta do sebo bovino – devido a grande demanda, já que não só é usado para fabricar os sabões, como também na produção de biodiesel – para tanto, a empresa segue investindo especialmente na linha que vem obtendo aumento na demanda: o sabão líquido, vem cortando custos e otimizando toda a sua linha produtiva.
 
Por: Lia Freire
Fonte: Revista Graxaria Brasileira – www.editorastilo.com.br