A Patense (patos de Minas/MG) trabalha como vetor de transformação no segmento de reciclagem animal e introduziu modalidades de negócio inéditas no Brasil. Um bom exemplo é a técnica de fertirrigação, que consiste em injetar adubo orgânico ou químico no solo por meio de água, o que torna a irrigação do adubo mais uniforme, além de economizar na mão de obra, reduzir a compactação do solo e os danos causados por máquinas, possibilitando o parcelamento da aplicação em quantidade ou época.
 
Em parceria com o professor e doutor da Universidade Federal de Viçosa (campos de Rio Paranaíba/MG) Luiz Cesar Dias Drumond, a Patense está desenvolvendo desde 2009 um projeto que utiliza a água residuária para a fertirrigação de pastagem.
 
O demonstrativo desse processo incluiu vários benefícios como: cobertura do solo, proteção das fontes de água, cultivo mínimo e plantio direto, fertilização adequada, reposição de matas ou pastagens em áreas impróprias para culturas anuais, corte planejado de árvores e reciclagem adequada de resíduos.
 
Sob influência do presidente da empresa, Clênio Antônio Gonçalves, a Patense foi a primeira a acreditar e ser parceira desse empreendimento, fornecendo recursos intelectuais e financeiros para que se pudesse implementar a pesquisa.
 
A tecnologia é realizada por meio da água residuária oriunda do processo de fabricação de farinha de carne das fábricas das unidades de Patos de Minas e Itaúna (MG) – que é rica em elementos como nitrogênio e fósforo, entre outros, elementos essenciais para a produção agrícola de maneira geral. Dentre os sistemas para o tratamento biológico e a disposição na forma de fertirrigação em área de pastagem. Segura, simples e com custo operacional baixo, os vegetais produzidos Por esse sistema são passíveis de serem utilizado como biomassa na caldeira existente na indústria, visando a produção de vapor necessário aos processos industriais, ou ainda como alimento animal em sistema s de produção de carne.
 
Outro aspecto importante deste projeto são os ganhos que o processo de fertirrigação propiciará, como exemplo: o não lançamento de efluente em corpo hídrico, a não emissão de CO2 e N2 na atmosfera.
 
O PROCESSO
 
Por meio de um sistema de irrigação por apersão com tubos enterrados, denominado de Aspersão em Malha, o acompanhamento dos nutrientes é realizado com a instalação de estações de extratores de solução de solo em profundidades estabelecidas de acordo com normas vigentes. Durante o projeto, os níveis de nutrientes  do solo têm mantidos baixos, pois a planta forrageira está extraindo elevadas quantidades de nutrientes do solo, com crescimento vigoroso. “Nosso trabalho efetivo de monitoramento de nutrientes no solo fornece a segurança necessária para construirmos  um manejo de fetirrigação”, conta o professor.
 
Além do monitoramento da solução do solo, é realizado o monitoramento da feritilidade. Um importante adendo que durante o processo de feritirrigação com água residuária é preciso trabalhar com plantas que são eficientes na extração de nutrientes de solo, a exemplo das plantas forrageiras tropicais, possibilitando manter baixo nível de cada elemento. “Isso significa que todo nutriente que está sendo aplicada via água residuária, está sendo consumida pelas plantas” explica Drumond. Junto com ele, mais quatro bolsistas da Iniciação científica da UFV estão participando do projeto.
 
Atualmente, a empresa colhe os frutos desse trabalho e mostra que a inovação e a preocupação com o meio ambiente também fazem a marca. De acordo com presidente da Patense, os resultados tem sidos excelentes, o que motiva a continuidade da pesquisa. “O principal objetivo desse projeto é usar sustentávelmente a água residuária, mostrando aos empresários, técnicos, produtores e sociedade civil que a maioria dos efluentes podem e devem ser usados como fonte de nutrientes para diversas culturas”, frisa Gonçalves.
 
Fonte: Revista Feed&Food – edição de dezembro