A compra dos ativos de bovinos da BRF pela Minerva deve ampliar o faturamento anual do frigorífico em pelo menos em R$ 1,2 bilhão e também adicionar cerca de R$ 100 milhões anuais ao Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa, que foi de R$ 495 milhões em 2012.
 
O negócio, confirmado na sexta-feira depois de ser antecipado pelo Valor PRO, prevê que a BRF entregará as unidades de bovinos de Várzea Grande e Mirassol d’Oeste, localizadas em Mato Grosso, em troca de uma participação de 15,2% no capital da Minerva e do direito a duas vagas no conselho de administração. O frigorífico emitirá 29 milhões de ações, o que equivale a cerca de R$ 300 milhões, para incorporar as duas unidades de bovinos da BRF.
 
Na teleconferência para tratar da operação na sexta-feira, o CEO do Minerva Fernando Galletti de Queiroz, disse que o acordo "abre caminho" para novos "trabalhos e estudos" em parceria com a BRF. "Veremos todas as áreas que podem ter sinergias e estaremos mais juntos".
 
Segundo o executivo, a aquisição dos dois frigoríficos em Mato Grosso pela Minerva completa a diversificação geográfica no Brasil – a empresa ainda não tinha unidades no Estado, que tem o maior rebanho de bovinos do país. Com as duas plantas, a capacidade de abate da Minerva passará de 11,5 mil bovinos por dia para 14,080 mil cabeças por dia. A empresa tem agora 13 unidades no Brasil, Paraguai e Uruguai.
 
Para a BRF, a venda dos ativos resolve um problema, já que o abate de bovinos não era seu "core business". A empresa era pouco eficiente e tinha rentabilidade baixa no segmento. Desde que Abilio Diniz chegou à BRF, em abril deste ano, já se imaginava, no mercado, que a empresa fosse rever sua atuação em bovinos, como parte de sua reestruturação. Em nota, a companhia afirmou que "sem sair do negócio, a BRF desverticaliza a cadeia, deixando a gestão de abate aos cuidados de uma empresa especialista, a Minerva. Ao mesmo tempo, reforça sua atuação nos segmentos de food services e alimentos processados de carne bovina".
 
A transação com o Minerva prevê um acordo de fornecimento de carne bovina de 10 anos à BRF, que garante metade do que a empresa necessita de matéria-prima para produzir seus alimentos processados. A BRF também exporta pequenos volumes de carne bovina. A BRF optou por um negócio envolvendo ações pois permanecer no capital da Minerva como acionista minoritário relevante é uma forma de se proteger, garantir fornecimento, estimular a parceria e participar economicamente do segmento de bovinos.
 
O acordo de acionistas entre as empresas tem um prazo de 10 anos e pode ser destratado pela BRF a partir do quinto ano ou se houver troca de controle da Minerva. Além das vagas no conselho, a BRF terá alguns direitos políticos, como o voto afirmativo para transações relevantes. Haverá direito de preferência para ambos os lados, em caso de venda. Além disso, a Minerva terá o endividamento limitado a 3,5 vezes o Ebitda. Com isso, a BRF pode participar do gerenciamento do risco financeiro da Minerva. As empresas também se comprometem a explorar em conjunto oportunidades no mercado externo.
 
Pelo lado da BRF, o negócio foi assessorado pela Estáter Gestão e Finanças. A Minerva foi representada pelo BTG Pactual.
 
Fonte: Valor Econômico