Na tarde desta quinta-feira (11) foi realizada no Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em Brasília, uma discussão sobre como dar sustentabilidade comercial à forte expansão da piscicultura em Rondônia, principalmente considerando o posicionamento logístico do estado em relação aos grandes mercados consumidores de pescado das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
 
 
Nos últimos cinco a sete anos a produção de pescado em Rondônia – sobretudo através da criação da espécie tambaqui, nativa da Amazônia – cresceu a taxas elevadas, em função do mercado de Manaus, que atualmente absorve cerca de 80% das 38 mil toneladas de pescado produzidas. Assim, no mercado varejista da capital do Amazonas a venda do tambaqui já é responsável por negócios da ordem de R$ 334 milhões por ano, segundo estudo desenvolvido, entre junho e agosto de 2012, pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Rondônia (SEBRAE-RO), através da empresa de consultoria FOCCU’s, de Porto Velho. 
Atualmente a piscicultura já se tornou uma das principais atividades do agronegócio rondoniense, e mobiliza cerca de 2.600 produtores de tambaqui.
 
Nos próximos dois anos, a produção rondoniense, em criatórios de viveiros escavados, deve alcançar as 50 mil toneladas anuais, conforme prevê o governo estadual.
Os temas de logística, de beneficiamento e de ação comercial também são de interesse de outros estados da região Amazônica, como Acre, Amazonas e Roraima. Juntos, esses estados e Rondônia produzem mais de 68 mil toneladas de pescado por ano.
 
Espaço, água, recursos financeiros, e mesmo tecnologia e genética, para a piscicultura continuar crescendo a taxas elevadas na região Norte estão já equacionados. O que se discute agora são as estratégias para abastecer novos e promissores mercados, onde há demanda para volumes extraordinários de pescado.

 
 

Estratégia

A discussão sobre a produção de Rondônia mobilizou equipes de vários setores do Ministério da Pesca e Aquicultura, desde a área de comercialização à de Pesquisa & Desenvolvimento. Na oportunidade, estavam presentes, entre outros, o diretor do Departamento de Fomento do MPA, Sebastião Saldanha Neto, o superintendente federal de Pesca e Aquicultura de Rondônia, Jenner Tavares Menezes, e representantes do SEBRAE e da empresa FOCCU’s, que conduziu o estudo intitulado “Pesquisa de mercado para acesso do tambaqui rondoniense às praças de Manaus, Sorriso/Cuiabá e São Paulo”. 
“O estudo nos deu um retrato de como estava a praça de Rondônia e das oportunidades que temos. Agora temos de fazer o dever de casa e seguir as estratégias apontadas”, diz o superintendente Jenner Tavares.
 

Após a reunião, o superintendente de Rondônia e os representantes do SEBRAE foram recebidos pelo Secretário de Infraestrutura e Fomento do MPA, Eloy Araujo, para encaminhar as propostas do encontro.

Redes de Comércio
 
 
Na reunião no MPA, as informações e os resultados da pesquisa do SEBRAE foram apresentados aos presentes pelo consultor Mauricio Chiecco Filho, que defendeu a organização dos produtores de Rondônia não apenas através de cooperativas e de associações como também por meio de redes de comércio independentes.
 
Essas redes podem reunir diversos produtores, para repartir despesas e reunir volumes maiores de tambaqui como querem os compradores e distribuidores. A maior organização favorece a redução de custos, pela venda direta e ausência de intermediários.
Maurício Chiecco lembrou que há três meses o SEBRAE fomentou no município de Ariquemes – um dos maiores polos de produção de tambaqui em Rondônia – um Encontro de Negócios.
 
 
Além de nove piscicultores foram convidadas empresas compradoras e frigoríficos. Apenas este encontro resultou em um acordo para o fornecimento de 375 toneladas mensais de tambaqui, no valor da ordem de R$ 1,4 milhão para os produtores,.
A estratégia do SEBRAE – que conta com o apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura – é estimular o fornecimento do tambaqui de Rondônia para mercados onde há demanda crescente, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso.

 
 
 
Fonte: MPA  -Ministério da Pesca e Aquicultura