“A agropecuária brasileira cresce, ao mesmo tempo em que respeita o meio ambiente”, disse a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, nessa quinta-feira (07), em Paris, na França, ao representar o Brasil na mesa-redonda de encerramento do Congresso Mundial da Carne. Ela afirmou que o Brasil tem uma das legislações ambientais "mais rigorosas do mundo" e indagou "qual seria a reação dos produtores de Europa, Estados Unidos e China se enfrentassem a legislação que os brasileiros enfrentam".

A senadora citou como exemplo as Áreas de Preservação Permanente (APPs), que fazem parte do novo Código Florestal, e obrigam os produtores a retirar-se das margens dos rios, para que essas áreas sejam reflorestadas. A presidente da CNA defendeu as APPs, lembrando que, no Brasil, é reconhecida sua importância para preservação das fontes de água, o que levou à sua regulamentação em lei.

"Mas eu fico imaginando se nós pedíssemos aos agricultores que produzem às margens do rio Sena, do Tâmisa, do Reno e do rio Amarelo, na China, para se afastarem 100 metros de cada margem, para o plantio de florestas, sem nenhuma indenização, como a legislação brasileira impõe aos produtores do Brasil", disse a senadora.

Durante sua exposição, a senadora lembrou que o setor agropecuário brasileiro já vem se desenvolvendo de forma sustentável há décadas. "Se nós observarmos o período de 1940 até 2006, quando foi realizado o último Censo Agropecuário no Brasil, tivemos um aumento no rebanho em torno de 400%. No entanto, a superfície de pastagem cresceu apenas 80%", afirmou ela.

A presidente da CNA lembrou que, atualmente, o agronegócio representa 33% de todos os empregos do Brasil e 37% de todas as exportações do País. Além disso, há 10 anos o setor é responsável por manter a balança comercial brasileira superavitária, em 29 bilhões de dólares. Tudo isso, disse a senadora, preservando o meio-ambiente.

"Em 2004, o governo brasileiro adotou o compromisso de diminuir o desmatamento em 80%. Ou seja, sair de 27 mil km2 de florestas desmatadas por ano, para 5,4 mil km2, em 2020. No final do ano passado, oito anos antes do prazo, nós já quase cumprimos esta meta, com uma área desmatada de 6,6 mil km2", explicou a senadora.

A presidente da CNA defendeu, ainda, a prática de criação do boi verde, que deixa o gado pastar livremente, mas é apontada como causadora de mal-estar animal. "Eu quero lembrar a essas pessoas que esse boi não tem que andar quilômetros para se alimentar. A cada passo que o boi verde do Brasil dá, ele encontra comida. Ao contrário do boi confinado, que precisa comer oito quilos de grãos por dia, afetando a alimentação humana", afirmou Kátia Abreu.

Fonte: Agrolink