Mato Grosso registrou em 2012 uma redução de 522.851 animais em comparação com o ano anterior. A queda foi de 1,8% sobre 29,2 milhões 29,2 milhões de bovinos existentes em 2011, o que resultou em um rebanho de 28,7 milhões ao final do ano passado de acordo com dados do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT). Este índice negativo era previsto pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) devido ao aumento da participação das fêmeas nos abates e da demanda por carnes.

 
O rebanho em 2012 ficou abaixo, inclusive, do total registrado em 2010, quando havia 28,8 milhões no Estado. Esta baixa significativa no número de bovinos é consequência de uma série de fatores que levaram os pecuaristas a enviar mais animais para o abate, inclusive fêmeas, e reduzir os animais e consequentemente os custos de produção. Em 2012, 46% dos animais abatidos eram fêmeas, em 2011 esta participação foi de 44% e em 2010 era de 34%.
 
O superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, explica que a crise de pastagem enfrentada no Estado tem obrigado os produtores a abater suas fêmeas para reduzir o rebanho. “Em 2010 se iniciou um problema nos pastos por causa do ataque de cigarrinhas, que somado à degradação culminou na crise enfrentada hoje no campo. Sem a recuperação ou reforma do pasto nas propriedades o futuro da pecuária fica comprometida no Estado”.
 
Para o economista e consultor técnico da Acrimat, Amado de Oliveira, é preciso desenvolver um plano de ação e políticas públicas para enfrentar os problemas de pastagem no Estado. Oliveira destaca que a transferência de área de pastagem para agricultura não ameaça a pecuária porque a tendência é aumento de produtividade, ou seja, mais animais e animais maiores e menores áreas, mas que para isso é preciso condições.
 
Entre os anos de 2008 e 2011 houve uma redução de 3,47% da área pastagem que foi transformada em agricultura, passando de 26 milhões de hectares para 24,9 milhões de hectares. Porém, neste período o rebanho passou de 26 milhões de animais para 29,1, o que aponta ganho de produtividade.
 
Mesmo com o investimento em tecnologias que permitiram este ganho, Vacari chama a atenção para o problema de renda do pecuarista e de pasto, duas condicionantes que podem influenciar o rebanho no Estado. Além disso, o superintendente também destaca a consequência principal do abate de fêmeas que é a falta de bezerros em dois a três anos.
 
Fonte: Acrimat, resumida e adaptada pelaEquipe BeefPoint.