Um acalorado debate sobre a regulamentação da composição de farinhas de produtos de origem animal encerrou o "Workshop CBNA sobre Ingredientes de Origem Animal: Nutrição, Qualidade e Normas" realizado ontem (02) no Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O foco do debate foram os padrões governamentais dispostos na IN 09/2010 para Fábrica de Produdos Não Comestíveis (FPNCs) contestados pelo Grupo de Trabalho (GT) da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) para produção de farinhas de produtos de origem animal (como penas, vísceras e sangue) e também a proposta enviada pela Associação ao Mapa para adequação do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), de 1952. O índice de peróxidos, digestibilidade em pepsina e teor de acidez das farinhas foram alguns dos itens questionados pelo GT, que se baseou em estudos científicos e experiências internacionais para defender seus argumentos. "Não podemos adotar o princípio da precaução e impor valores ideiais sem embasamento e sem conhecer as condições de mercado. Lei é preto no branco e precisa ser bem definida. Há grande chance dos produtores nacionais de farinhas serem multados ou começarem a exportar por não atingirem os patamares exigidos", defendeu o responsável pelo Departamento Técnico da ABRA, Lucas Cypriano.
 
O evento contou com representantes do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Embrapa Suínos e Aves, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Comitê Pet do CBNA. Para o debate, mediado pelo vice-presidente Executivo do Sindirações, Ariovaldo Zani, foram convidados Lucas Cypriano; o fiscal do Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários (DFIP)/Mapa, Bruno Paule, o representante da Ubabef, Rodrigo Toledo e o engenheiro agrônomo representante do Comitê Pet do CBNA, Alderley Zani.
 
O fiscal do Mapa, Bruno Paule, explicou que o Grupo de Trabalho do Ministério foi formado devido à revogação da Portaria 07, de 1988, que já definia alguns padrões para determinada quantidade de ingredientes de origem animal e que seguiu o critério "saúde animal" para tratar desta normativa. "Focamos em alguns aspectos, que são a ausência de risco para a saúde do animal, por isso que se fala do índice de acidez e de índice de peróxido, e focamos na parte de fraude, porque é a função do Mapa detectar atividades ilegais. Estamos tentando estabelecer limites. Este trabalho visa quantificar e qualificar melhor alguns ingredientes", esclareceu.
 
Cada elo da cadeia produtiva de proteínas teve a oportundiade de expor seu ponto de vista e a discussão segue em aberto para melhor definição da legislação. "Precisamos discutir mais para que logo se tenha um exemplo de referência, garatindo segurança e inoquidade do produtos de origem animal, oferecendo um coeficiente nutricional que atenda os requisitos das empresas produtoras de ração para aves, suínos e pets", salientou o mediador Ariovaldo Zani. O Compêndio do Sindirações, que será lançado no mês de agosto, já inclui esse conjunto de ingredientes tanto quanto outros. Nesta edição serão revisados e atualizados. "Mas é importante salientar que o Compêndio é um documento oficioso e não oficial. Por ser validado por um conjunto de profissionais notáveis, acaba sendo referência por órgãos de classificação e auditoria, assim como para nutricionistas. Agora, definitivamente as regras de mercado num sistema capitalista geram uma flexibilidade entre cliente e produtor para negociar contratos e o compêndio acabou por contribuir neste sentido", finalizou.
 
A programação completa do Workshop também contou com a palestra "Os coprodutos de origem animal e seu uso na Nutrição Animal", ministrada pelo vice-presidente do CBNA, José Eduardo Butolo; "Análises de qualidade microbiológica", pelo pesquisador da Mercolab, por Alberto Back; "Análise para qualidade oxidativa", pelo pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Everton Luis Krabbe e "Exigências das empresas consumidoras", pelo representante do CBNA Pet, Alderley Zani; "Produção e visão de mercado da ABRA", por Lucas Cypriano e "Gestão de resíduos da cadeia de carnes e alternativas para agregação de valor", pelo consultor e pesquisador Claudio Bellaver.
 
Fonte:  Redação Avicultura Industrial, Suinocultura Industrial e Biomassa & Bioenergia