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Cada vez mais a indústria se organiza preocupados com o coproduto do processamento da proteína animal e a ABRA tem um papel fundamental neste quesito a fim de alcançar novos mercados e o reconhecimento de um serviço público essencial
 
Gabriela Ferri, da redação
 
gabriela.ferri@curuca.org
 
Nas contas da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA, Brasília/DF) o volume de resíduos animais processados pelas indústrias em território nacional por ano chega a 12,5 milhões de toneladas, o suficiente para encher duas vezes o estádio do Maracanã. Em função deste volume, a entidade atua para transformar este subproduto em coproduto visando o ciclo sustentável de forma economicamente correta.
 
Para a gestora de Projetos da associação, Cátia Macedo, mesmo sendo um trabalho corriqueiro dentro da sede da entidade, ainda é necessário um trabalho de conscientização maciça. “Desde 2006 este é o nosso propósito. Temos que pensar na atividade como um serviço público essencial, uma vez que remove resíduos que certamente se tornariam um enorme passivo ambiental, e os transforma em produtos de alto valor econômico – farinhas e gorduras – como insumos para a produção de rações, de produtos da indústria de higiene e limpeza, além de matéria-prima para a fabricação de biodiesel”.
 
E mesmo sem números e percentuais da rentabilidade da produção de 2014, a entidade realizou diversas ações visando a consolidação de parcerias e programas. No primeiro semestre a ABRA, entidade que representa 60% do mercado nacional de reciclagem animal, foi em busca de mercados externos com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil, Brasília/DF), a exemplo do programa de exportação, cujo principal foco é apresentar todo o trabalhado realizado no Brasil para o mundo, além de explorar novas fronteiras, conforme explica a gestora de projetos: “Participamos de importantes e estratégicas feiras internacionais, tal como a International Production & Processing Expo (IPPE, Atlanta /Estados Unidos), além de realizarmos visitas a outros países junto da agência para apresentação dos nossos produtos”, explica.
 
Outro destaque que ganha atenção da associação diz respeito à criação de um selo que será ofertado pela ABRA aos seus associados, cujos processos internos estejam alinhados às novas ordens de mercado, ou seja, qualidade dos processos e produtos, ou seja, regras que aferissem regulação média entre às indústrias. “A ideia é dar credibilidade ao que se produz, pois no Brasil, em alguns casos, presenciamos situações inadequadas. Desse modo, ao se estabelecer um selo de qualidade creditado pelas entidades públicas e associação, a empresa passaria a ofertar garantias de que àquela indústria cumpre todas as normas estabelecidas, a exemplo da produção brasileira de café”, alinha.
 
E os trabalhos não param. Assim, com o fim de mais um ano, a ABRA garante que ainda há projetos e trabalhos a serem pensados.  “Temos que manter o ritmo”, destaca a gestora de projetos afirmando que as palestras organizadas para a conscientização dos empresários envolvidos com este segmento econômico é fundamental para se mantença de um negócio sustentável. “São diversos os desafios que o setor enfrenta, e não podemos parar. É preciso maior abertura e consolidação de novos mercados, melhoria das políticas e incentivos públicos. Além do maior desafio de todos: o reconhecimento de que se trata de uma indústria de utilidade pública, pois, se pararmos para pensar, se não fosse a indústria de reciclagem animal qual seria o fim dos dejetos?”, questiona.  
 
 
Foto: Cátia Macedo, gestora de Projetos da ABRA.
 
Fonte: Revista Feed&Food – Nº 92, dez 2014  -Página 54