Setor de Reciclagem Animal participa de eventos e concretiza convênios com órgãos governamentais a _ m de comprovar a importância do segmento para a cadeia produtiva de proteínas. Aumentar as exportações de farinhas e gorduras é a missão da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) para 2013.
 
 
Tanto o setor de biomassa para geração de energia como o de reciclagem animal possuem a mesma carência na opinião dos representantes destas cadeias. Os mesmos incentivos e pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável (Abib), Celso Oliveira, em entrevista nesta edição de Biomassa & Bioenergia, são reivindicados pelo presidente da Associação Brasileira de Reciclagem
 
 
Para ele, o ano de 2012 foi promissor para o setor, mais empresas se associaram à entidade, mas ainda existem necessidades essenciais para valorização da atividade. “Estamos realizando um estudo de identidade do setor para podermos fazer as reivindicações corretas no que diz respeito aos incentivos governamentais”, afirma Gonçalves. Segundo o presidente, a entidade tem conquistado muito espaço junto aos governos e seus órgãos elaborando ações que evidenciam a cadeia produtiva. Para reforçar esta intenção, além de realizar o “Projeto Comprador”, no qual planeja trazer compradores de farinhas e gorduras de origem animal para conhecer a produção brasileira com o intuito de aumentar as exportações, a Abra ainda quer implantar, em 2013, o “Selo de Qualidade das Farinhas de Gorduras de Origem Animal” para ressaltar as características do produto.
 
 
Reciclagem de resíduos de origem animal
 
 
Penas, vísceras e sebo são exemplos comuns de resíduos animais que podem ser reciclados. Mundialmente, os principais segmentos consumidores são os de ração para não ruminantes, pet, biodiesel, higiene e limpeza. No Brasil, as empresas do setor têm como destino da produção integrações de aves, suínos e fábricas de ração para animais destinados para abate e pets, que utilizam farinhas e gorduras; indústrias de cosméticos, sabões e produtos para higiene e limpeza (saboarias), que utilizam gordura animal; indústrias químicas, que utilizam sebo bovino para fabricação de pneus, tintas, vernizes, lubrificantes e afins; indústrias petroquímicas,
que fabricam biodiesel a partir de gordura animal, principalmente sebo bovino; e outros afins, como queima em caldeiras e fabricação de adubos (compostagem).
 
 
Atualmente no Brasil não há ferramentas oficiais de controle e monitoramento unificado da produção de farinhas e gorduras de origem animal. Sabe-se que os mercados mais atuantes em produção e consumo de resíduos de reciclagem animal estão localizados nas regiões Sul e Sudeste, de acordo com levantamento da Abra. Para se identificar o total de produção, as principais dificuldades encontram-se por determinados estabelecimentos estarem sob Sistema de Inspeção Federal (SIF) e outros se reportarem a Sistemas de Inspeções Estaduais e Municipais. “Como ainda não há a transferência desses dados locais para o sistema federal, torna-se inviável esse levantamento em todos os municípios e Estados da federação”, explica Gonçalves.
 
 
I Diagnóstico da Indústria Brasileira de Reciclagem Animal
 
 
No final do ano de 2011, a Abra lançou o I Diagnóstico da Indústria de Reciclagem Animal, a fim de identificar o tamanho e a importância do setor para o País. Segundo o Diagnóstico, o Brasil possuía, até 2011, 512 empresas sob o Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O Estado de maior concentração dessas indústrias é São Paulo, seguido pelo Paraná.
 
 
A intenção da Abra é fazer uma atualização do estudo em 2014. O segmento de Reciclagem Animal é um complemento para a cadeia de carnes. Pode-se afirmar que a ausência do mesmo inviabilizaria toda a cadeia de produção industrial de carnes, já que a indústria faz a coleta dos resíduos ainda frescos e os processa, gerando novos produtos. As indústrias de Reciclagem Animal também garantem a sustentabilidade na produção. “Somos um setor totalmente comprometido com o meio ambiente, que além de um rigoroso tratamento de efluentes  estamos buscando a inovação, como por exemplo, a fertirrigação, um projeto que já foi realizado entre a Patense e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) ”, afirma Gonçalves. A entidade busca apoiar todas as iniciativas que tragam desenvolvimento para o setor, com disponibilização de informação. “Estamos sempre abertos à  negociação”, completa o presidente da associação.
 
 
A Abra está abrindo portas que irão fortalecer o setor de Reciclagem Animal no Brasil”, afirma o presidente da associação, Clênio
 

 

Convênios
 
 
No ano passado, a Abra firmou dois convênios: o primeiro, assinado com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), tem objetivo de aumentar o número de indústrias de Reciclagem Animal no mercado externo, promovendo a diversificação dos mercados, e ainda intensificar o marketing internacional para as indústrias brasileiras e ampliar a articulação interna.
 
 
O segundo convênio assinado foi com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que tem o objetivo de contribuir para o avanço tecnológico da Reciclagem Animal no Brasil através da ampliação do conhecimento teórico e tecnológico que serão aplicados aos sistemas de produção.
Nesse convênio, a Abra irá elaborar e editar um manual de Boas Práticas de Fabricação específico para o setor.
 
 
Através desse manual será desenvolvido o selo de qualidade para as indústrias de Reciclagem Animal, que servirá de base para a rastreabilidade e certificação da produção brasileira de farinhas e gorduras de origem animal.
 
 
Os dois convênios serão executados este ano. Para o presidente entidade, 2012 marcou grandes ações em benefício das indústrias de Reciclagem Animal e abre portas para o desenvolvimento do setor. “2012 foi um ano de trabalho árduo de toda equipe em benefício de nossos associados e do setor. A Abra está abrindo portas que irão fortalecer o setor de Reciclagem Animal no Brasil. Nosso trabalho está sendo reconhecido, ganhamos novos associados e em 2013 continuaremos trabalhando com a mesma  excelência”, afirma Gonçalves.
 
 
Visibilidade
 
 
Entre os dias 29 e 31 de janeiro, a Abra representou as indústrias brasileiras de Reciclagem Animal durante a International Poltry & Processing Expo (IPPE), em Atlanta, nos Estados Unidos. Durante os dias de evento, a Abra recebeu autoridades de outros países e um grande número de visitantes interessados em conhecer os produtos de Reciclagem Animal e o que as indústrias têm feito para se manterem no padrão de “indústrias verdes”. A participação na IPPE é parte do Programa Brasileiro para a Expansão das Exportações de Farinhas e Gorduras de Origem Animal. “A feira foi um sucesso, recebemos grande número de visitantes, autoridades e pessoas-chaves para o setor.
 
 
Pudemos mostrar a qualidade das nossas farinhas e gorduras de origem animal e enfatizar a sustentabilidade por parte das nossas indústrias. Sem dúvida a representação de nossos produtos na IPPE trará grandes oportunidades de negócios e maior credibilidade para o setor no Brasil”, afirma Gonçalves.
 
 
A entidade também organizará o “II Painel Reciclagem Animal”, na Feira Biomassa & Bioenergia, que acontece em paralelo à AveSui 2013 nos dias 14, 15 e 16 de maio, no CentroSul, em Florianópolis (SC). O tema do painel será “Coleta e processamento de mortalidade de Aves e Suínos”.
 
 
Participar de eventos, para a Abra, é uma das maneiras de evidenciar a importância do setor para o mercado e, dessa forma, garantir visibilidade ao governo. “Realizamos seminários, participamos de feiras nacionais e internacionais, como a IPPE, dando todo o suporte necessário aos empresários do setor para ressaltarem suas marcas e fazerem negócios divulgando o setor de reciclagem animal no Brasil e no mundo”, finaliza o presidente da Abra.
 
Em 2012, a Abra realizou o I Painel de Reciclagem Animal durante I Seminário Internacional Biomassa & Bioenergia, organizado pela Gessulli Agribusiness
 

Fonte: Revista Biomassa e Bioenergia – Nº 05 – Páginas 34-37- Jornalista: Lílian Sartório – www.biomassabioenergia.com.br