“A indústria Brasileira de Reciclagem Animal” foi o tema explanado pelo consultor executivo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), José Eduardo Borges Malheiro durante o II Painel Novos Horizontes para a Reciclagem Animal – Coleta e Processamento de Mortalidade em Granja de Aves e Suínos, coordenado pelo Secretário Executivo da própria ABRA, Vinícius Marques, durante a tarde do segundo dia da Feira Biomassa & Bioenergia e Avesui Reciclagem Animal realizada enter os dias 14 e 16 de maio em Florianópolis (SC).
 
 
Malheiro destacou que, conforme dados do I Diagnóstico da Indústria Brasileira de Reciclagem Animal, existem hoje, registradas no Mapa, portanto com Sistema de Inspenção Federal (SIF), 343 graxarias 169 fábricas de produtos não comestíveis (independentes). Estão fora desse total as empresas com Sistema de Inspenção Estadual (SIE) e Serviço de Inspenção Municipal (SIM). “Até o início de 2000, o setor de Reciclagem Animal praticamente era desconhecido como tal. A partir da edição, pelo Mapa, da primeira instrução normativa, que foi a IN 15, em 29/10/2003 os olhos voltaram para essa atividade, um importantíssimo elo na cadeia de carne” explicou.
 
 
De acordo com o palestrante, o principal desafio da indústria brasileira de Reciclagem Animal ainda é buscar uma identidade para os produtos, conseguindo dessa forma uma união de todos os empresários no sentido de fortalecimento deste segmento industrial. “Apesar de já evoluirmos bastante desde a criação da ABRA, ainda há temas a serem esclarecidos dentro da legislação de produtos de origem animal” explicou.
 
 
Baseado no fato de o Brasil ser o maior exportador de carne do mundo, Malheiro entende que o país também deve ser o maior processador de subprodutos, cabendo ao setor legitimar sua produção. “Atualmente o setor segue as determinações do contidas no RIISPOA [Regulamento da Inspenção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal] e na IN 34, porém não existe uma política pública de incentivo a essa importante atividade realizada pelo setor”, afirmou.
 
 
O consultor executivo também destacou que a profissionalização das empresas produtoras de farinhas, gorduras e demais subprodutos de origem animal é essencial para agregar valor ao produto final e comprovar a qualidade dos mesmos possibilitando, assim, a abertura de mais mercados para exportação.
 
Atualmente, os maiores compradores de farinhas e gorduras animais são o Vietnã (44,1%), Chile (33,2%) e Itália (5,5%) – dados de 2012. “Se trabalharmos em busca de qualidade, vendas, tanto no mercado interno como no externo, crescem e teremos ganhos muito maiores que os atuais”, explicou.
 
Malheiro acredita que o Brasil deve guiar suas normas para farinhas e gorduras baseado nos Estados Unidos – maior produtor mundial, na Austrália – segundo maior exportador mundial, e na União Europeia, que publicou legislação específica com padrões de farinhas e gorduras lá produzidas no ano de 2011. “Nós necessitamos de apoio e envlvimento de toda cadeia para entender as regulamentações e a dinâmica do setor”, finalizou.
Fonte: Revista Biomassa&Bioenergia – Edição 07 – Página 42