Você já parou para pensar qual é o destino correto que devem ter os resíduos do abate? O Paraná é um estado potencial em criação e abate de animais de corte. Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, somente em 2011, foram abatidas no estado cerca de 887 mil cabeças de bovinos, pouco mais de 1, 4 bilhões de aves e seis milhões de cabeças de suínos.
 
Do abate total de animais (bovinos, suínos, aves e peixes), cerca de 50% não é aproveitado para o consumo humano, o que gera um grande volume de resíduos. Esses resíduos entram em rápido processo de decomposição principalmente em contato direto com o meio ambiente. Além do mau cheiro, o descarte dessa matéria na natureza causa a contaminação do solo, do ar, de rios e até mesmo dos lençóis freáticos. Ainda deve se considerar que essas partes que não são para o nosso consumo atraem pragas urbanas como urubus e roedores.
 

Do abate total de animais (bovinos, suínos, aves e peixes), cerca de 50% não é aproveitado para o consumo humano, o que gera um grande volume de resíduos. 
 
 
SOLUÇÃO SUSTENTÁVEL
 
Esses resíduos são aproveitados pelas indústrias de Reciclagem Animal e transformados em produtos nobres, utilizados diariamente por nós. O setor de Reciclagem Animal é um complemento para o circulo na cadeia de carnes. Pode-se afirmar que a ausência desse setor inviabilizaria toda a cadeia de produção industrial de carnes.
 
Essa indústria faz a coleta desses resíduos ainda frescos em abatedouros, frigoríficos, açougues e supermercados, no qual são processados gerando novos produtos como as farinhas e gorduras de origem animal- FGOA.
 
As FGOA são usadas para a alimentação de animais de corte (aves, suínos e peixes), para pets (cães, gatos e peixes), na fabricação de produtos de higiene e limpeza, de vernizes, cosméticos, para a produção de biodiesel, entre outros produtos.
 
Além do benefício que essa atividade traz para o meio ambiente, ela ainda movimenta a economia brasileira como explica o Sr. Vinícius Marques, Secretário Executivo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal – ABRA. “Em 2011 foram mais de 12 milhões de toneladas de resíduos do abate animal processados pelas indústrias de reciclagem animal, gerando novos produtos, empregos e um PIB de 6,2 bilhões de reais” afirma.  
 
DIAGNÓSTICO
 
O I Diagnóstico da Indústria de Reciclagem Animal, lançado no final de 2011 pela ABRA mostra que 84% das farinhas de origem animal são usados como ingrediente de ração na produção animal, 14% é destinada para a fabricação de produtos pet food e outros 2% são exportados. Já as gorduras de origem animal, tem um percentual de 40,73 que são destinadas para a saboaria, 34,34% produção animal, 17,26% para o biodiesel, 3,09% para Pet Food e 4,57% na produção de outros produtos.
 
As indústrias de Reciclagem Animal também garantem a sustentabilidade na produção. Grande parte delas utilizam a tecnologia para a redução de odores através dos biofiltros e também para o tratamento água utilizada no processo como garante o presidente da ABRA, Sr. Clênio Gonçalves. “Nós somos um setor totalmente comprometido com o meio ambiente, que além de um rigoroso tratamento de efluentes estamos buscando a inovação, como por exemplo, a Fertirrigação, um projeto que já foi realizado entre a Patense e a Universidade Federal de Viçosa-UFV ”.
 
Segundo o Diagnóstico, o Brasil possuía até 2011, 512 empresas sob o Serviço de Inspeção Federal-SIF do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. O estado de maior concentração dessas indústrias é São Paulo, seguido pelo Paraná que situa 96 plantas.
 
O Paraná é o segundo maior estado processador de FGOA. Em 2010 produziu 422. 398 toneladas desses produtos. O estado também é o segundo maior exportador desses produtos, com vendas de 9 mil toneladas para o mercado e gerando receitas de 6,1 milhões de dólares.
 
Reciclagem Animal no nosso dia a dia

Podemos afirmar que  em algum momento do dia nós usamos algum produto que venha da reciclagem animal.
 
Para o Sr. Clênio Gonçalves a aplicação das farinhas e gorduras resultante da Reciclagem Animal em novos produtos é tão vasta que chega a ser imaginável. “Os nossos produtos estão presentes em muitos outros. Quando você faz uso de um cosmético, limpa a casa, alimenta o seu animal de estimação, faz uso de algum verniz, e até mesmo quando toma banho, você faz uso de produtos que são originados pela nossa indústria”.
 
Outra aplicação crescente é a do sebo para a produção de biodiesel. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, 14,41% dos biocombustíveis produzidos no Brasil é proveniente do sebo bovino. Esse combustível tem sido uma alternativa ambientalmente correta, por proporcionar a redução da emissão dos gases do efeito estufa. 
 
Conheça mais sobre a Reciclagem Animal e tenha acesso ao I Diagnóstico da Indústria Brasileira de Reciclagem Animal: www.abra.ind.br
 
Fonte: Jornal o Presente Rural, Edição Especial – Suínos, Aves e Bovinos – Novembro/Dezembro 2012. Página 20. 
www.opresenterural.com.br