A quarta e última palestra do painel organizado pela ABRA na Feira Biomassa e Bioenergia e Avesui Reciclagem Animal foi ministrada pelo coordenador técnico ad Associação, Lucas Cypriano, com o tema “Coleta de Mortalidade à Campo: Legislação Internacional e projeto piloto ABRA-Suídeos”.

 
Cypriano relatou que na Nova Zelândia, a coleta de mortalidade é realizada sob regência de legislação específica. “A mortalidade na Nova Zelândia é coletada até 24 horas ou mantida em refrigeração eficiente até o recolhimento. A empresa coletora necessita habilitação especial e o produtor deve comprovar que o destino é adequado”, afirmou. O palestrante também contextualizou a realidade desse segmento da Austrália. Naquele país a legislação não proíbe, mas também não regulamenta a atividade. “Na Austrália a coleta da mortalidade é realizada regularmente, os subprodutos são destinados a mercados variados e é recomendada pelo governo”, disse.

 
Já nos Estados Unidos há coleta intensiva de mortalidade. “ O recolhimento da mortalidade de suínos é feita via câmara fria e a de aves via acidificação ou recolhimento de refugos e descarte e pode gerar renda ao produtor” identificou Cypriano. Segundo ele, há legislação regendo a coleta, que não possui restrições para resíduos de aves e suínos, mas proíbe  a utilização de subprodutos de frigoríficos. Na Europa, a situação é completamente regulamentada pelo governo e toda mortalidade recolhida deve ter um destino aprovado, frigoríficos são proibidos. “No entanto, a alimentação dos animais com farinhas e gorduras é proibida, o que obriga os fabricantes a exportarem esses produtos. A importação de carne de animais alimentados com essa mesma farinha, porém é permitida, o que torna o sistema economicamente inviável”.
 
O projeto piloto da ABRA está sendo desenvolvido através do recolhimento de carcaças de suínos e na transformação em farinha e gordura “A mortalidade recolhida é segura e de excelente qualidade. As carcaças são depositadas em câmara fria e recolhidas por indústria apta. O projeto consiste na produção de farinha com índice de 51% a 53% de gordura, com ótimo cheiro e sem patógenos. Jás as gorduras, sem peróxidos, contém 0,94% de AGL. Há mercados abertos tanto para matéria-prima quanto para o produto acabado”, explicou.
 
O Projeto da ABRA é semelhante ao que ocorre em granjas nos Estados Unidos e Europa, não há evisceração e o congelamento é feito a -10ºC. “O que falta para o projeto piloto se tornar realidade é a regulamentação. O Ministério da Agricultura já foi informado  e estamos aguardado um parecer da Embrapa. Também são necessários ajustes na IN 34/2008 e apoio e interesse das entidades competentes, representantes do setorm produtores e pesquisadores. A competência de FPNCs [Fábricas de Produtos Não Comestíveis] também é primordial” ressaltou Cypriano.

 
O palestrante defende o projeto como uma oportunidade rentável ao suinocultor e aos fabricantes. “A coleta e processamento em granjas é u7m jogo de ganha-ganha. É bom para o suinocultor que receberá pela venda dos animais e também para os produtores de farinha de origem animal que terão uma disponibilidade de uma matéria-prima excelente qualidade, resultando em um produto final com o valor agregado. Levando ainda em consideração que resolvemos um problema ambiental”, disse. “Devemos vencer paradigmas e olhar o desafio como uma oportunidade, sem preconceito. É preciso garantir o envolvimento de diversas entidades representativas e regulamentar o processo”, finalizou.
 
Fonte: Revista Biomassa&Bioenergia – Edição 07 – Ano 2013 – Página 45