O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Suínos e Aves, Gláucio Mattos, apresentou a palestra “Tecnologias disponíveis ao suinocultor e avicultor” no II Painel Novos Horizontes para a Reciclagem Animal – Coleta e processamento de mortalidade em Granjas de Aves e Suínos realizado durante a feira Biomassa e Bioenergia e Avesui Reciclagem Animal.
 
Mattos propôs novas tecnologias para a retirada e destinação de carcaças de aves e suínos das propriedades rurais. “A mortalidade é inevitável dentro de granjas de aves e sinos por diversas razões como clima, manejo, sanidade, etc.São contabilizados cerca de 7,740 milhões de toneladas de frango de corte mortos por mês em propriedades da região sul do Brasil e cerca de 20 milhões de toneladas de suínos anualmente [morrow e Ferket (1993)]” informou o pesquisador, que apresentou algumas alternativas para lidar com a mortalidade.
 
A compostagem foi o primeiro método apontado por Mattos. Trata-se da degradação da matéria orgânica por micro-organismos naturais. “Uma ave leva cerca de três dias para se decompor e a carcaça suína cerca de 120 dias. O processo é ambientalmente e sanitariamente recomendado, não polui o ar. Entre as desvantagens estão a necessidade de mão-de-obra operacional treinada e aumento do volume residual final”explicou.
 
O enterramento é outra opção e a mais útil para sacrifícios sanitários e mortalidades catastróficas, de acordo com o pesquisador. “Apesar do baixo custo, algumas desvantagens deste método são os riscos ambientais e de biossegurança; inundações; ataques de animais escavadores e acúmulo de organismos necrófagos” ressaltou.
 
A incineração também foi uma alternativa a mortalidade em granjas apresentada por Mattos, que destacou o equipamento desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Perozin. “Entre as vantagens desse método estão a redução do volume do resíduo final  e também a redução de agente patogênicos e poluição ambiental”, explicou.
 
As desvantagens foram identificadas no custo, na umidade da carcaça, no uso de combustíveis e na necessidade de ventilação forçada.A desidratação da mortalidade é outra opção, ela minimiza os riscos ambientais, reduz volume e peso e é uma alternativa para a compostagem. “As desvantagens são o alto custo, pequena capacidade do equipamento e ainda não é uma técnica validada”identificou.
Em concordância com o projeto apresentado pela ABRA ao Ministério da Agricultura, Mattos lamentou o fato da legislação brasileira não considerar a coleta e processamento de mortalidade por causas naturais como alternativa para os resíduos da cadeia produtiva de carnes. “Esta é uma alternativa onde a mortalidade de rotina seria armazenada em contêiners ou câmaras frias no limite da propriedade – cordão de biosseguridade-e recolhida por empresas fabricantes de farinhas de carne e ossos, gorduras, óleo e fertilizantes. Não há legislação para coleta no Brasil, que poderia padronizar e normatizar o processo”, disse.
 
Para o estabelecimento desta opção diversos pré-requisitos devem ser adotados, segundo o pesquisador, entre elas a utilização da compostagem como método alternativo, suspensão do recolhimento em caso de surtos e riscos iminentes, cadastramento dos envolvidos com veículos transportadores com sistema de rastreabilidade e sanidade, registro dos cadávere, rotas e limites pré-estabelecidos e proibição de transporte interestadual. “Para isso, o processo deve ser regulamentado, criando-se regras que priorizem a biosseguridade, normatizaçao da atividade, equipes mutidisciplinares e multi-institucionais de órgãos públicos e privados e acompanhamento de projetos pilotos. Existem riscos mas estes podem ser minimizados”, finalizou. 
 
Fonte: Revista Biomassa&Bioenergia – Nº 03 – página 43