Após conferência sobre o meio ambiente e desenvolvimento ECO 92, realizada no Rio de Janeiro, evento que definiu o termo sustentabilidade como a responsabilidade de conservação dos ecossistemas e da biodiversidade para as gerações futuras, sem gerar danos econômicos e sociais diversas empresas passaram a adotar o termo em suas gestões, denominando, em sua maior parte, toda e qualquer atividade voltada ao meio ambiente ou a sociedade como uma ação sustentável.
 
Entretanto, é preciso entender o real valor para que não caia na filantropia. Segundo o dicionário Aurélio, filantropia significa amor à humanidade, humanitarismo. Já sustentabilidade, significa qualidade de ser sustentável. São termos diferentes e utilizados de maneira erronia na maior parte das vezes.
 
Para debater e esclarecer os caminhos reais do que é ser sustentável, da essência até a geração de renda, a revista Feed&Food, em parceria com a União Brasileira de Avicultura (Ubabef, São Paulo/SP) e a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA, Brasília/DF), promoveu o II Seminário Internacional de Sustentabilidade, realizado nos dias 28 e 29 de agosto, no Anhembi Parque (São Paulo/SP).
 
Segundo definição da Organização das Nações Unidas (ONU, sediada no Brasil no Distrito Federal) o termo é baseado na tríplice capaz de tornar algo economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. Portanto, para ser sustentável é necessário preservar, contribuir e lucrar.
 
Definição que norteou a palestra do gerente de assuntos corporativos e sustentabilidade da Bunge (São Paulo/SP), Michel Henrique dos Santos. “A questão sustentabilidade não é somente romântica, é um negócio. Caso Contrário, não é sustentável, é filantropia” argumenta Santos.
 
O palestrante esclareceu ainda que ela precisa ser economicamente independente , pois caso contrário, o projeto não perdurará. “Ela só deve ser viável aos negócios se considerarmos o tripé. Não é errado pensarmos na questão econômica, em remuneração. Se o projeto não tiver independência econômica em um tempo previamente determinado, não é sustentável”, reassalta e explica: “Promover ações em prol  da sociedade é importante, mas necessita aaosicação ao negócio, posi se não estiver agregado, dependerá eternamente do dinheiro da companhia. Se a ajuda for interrompida, o projeto acaba”, destaca Santos.
 
Para ele, está é uma maneira diferente de abordar o tema, mas é uma forma de fazer com que as pessoas reflitam sobre “ser sustentável” e o que se é compreendido com o tema. “A ideia é conseguir desmistificar o conceito e trabalhar de forma mais profissional a questão”, segure.
 
SER AMBIENTALMENTE CORRETO.
Outro ponto abordado pelo palestratne voltado à responsabilidade ambiental gerada pela empresa e por seus fornecedores. Para ele, o produto não pertence à companhia apenas no momento que sai da linha de produção. Todos os processos, desde a geração da matéria-prima até o pós-consumo, são responsabilidade da empresa. “ O produto carrega a marca da companhia, portantyo é de responsabilidade da mesma” enfatiza.
 
Ele também esclareceu que a empresa precisa estar atenta a gestão dos seus fornecedores. “Não adianta a companhia ser sustentável se os seus fornecedores não respeitam os códigos ambientais, entre outros casos. Precisamos estar atentos ao ciclo completo de vida do produto para garantirmos sustentabilidade dos negócios”. Para Santos, os fornecedores geram impactos sobre a imagem da empresa que necessitam de uma atenção especial.
 
OS RESULTADOS E OS BENEFÍCIOS.
Um bom exemplo de coordenação de trabalhos relacionados ao ser economicamente viável, socialmente justo  e ambientalmente correto foi apresentado no segundo dia de trabalho do Seminário Internacional de Sustentabilidade. Anteparados pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal, os resíduos da agroindústria de proteína animal foi tema de debate.
 
De acordo com o coordenador técnico da associação Lucas Cypriano, os resíduos gerados pelas empresas são fontes de renda que, em muitos casos, são descartados. Para ele, a reutilização dos produtos considerados erroneamente como lixo podem gerar lucros significativos para a economia nacional. Em 2010, segundo levantamento da ABRA, a reciclagem Animal atingiu a marca de R$ 6 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) do respectivo ano. “A atividade não é um negócio de fundo de quintal, é efetivamente uma indústria. É o setor mais importante na reutilização  ecologicamente correta dos coprodutos oriundos do abate animal”, declara Cypriano. 
 
Este panorama de importância econômica da reciclagem animal e a evolução do setor nortearam a apresentação do assessor da ABRA e consultor da Patense (Itaúna/MG), José Eduardo Malheiro, que foi enfático ao afirmar: “O Brasil é o maior exportador de carne e, consequentemente, o maior gerador de matéria-prima para a fabricação das farinhas e gorduras, e isto chamou a atenção dos investidores internacionais interessados em aplicar no setor de reciclagem animal no país”.
 
As estimativas para 2012 apontam que o Brasil processará 12 milhões de toneladas do produto In natura e, para 2020 apontam que o Brasil processará 15 milhões de toneladas. A atividade gera 65 mil empregos diretos nas mais de 500 empresas espalhadas pelo país  dentro e fora dos frigoríficos. Além da farinha e da gordura a reciclagem animal gera matéria-prima para diversas atividades como indústrias de higiene e beleza e para a produção de biodiesel tyendo como base o sebo bovino.
 
QUALIDADE
O mercado de reciclagem animal é extremamente exigente neste quesito. Por isso, o setor investe pesado em novos equipamentos e certificações que comprovem a isonomia dos produtos. “ As empresas passaram a exigir certificações que validem a rastreabilidade dos produtos adquiridos e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF) estabeleceu uma medida que identifica a origem dos materiais que estão sendo destinados à fabricação das farinhas, garantindo a rastreabilidade”, pontua Malheiro.
 
O QUE NÃO RECICLAMOS
Apesar dos números de reciclagem no país, o Brasil ainda possui muito trabalho a fazer. De acordo com Cypriano, muitos produtos que poderiam ser reciclados não são. Um exemplo claro deste desperdício de dinheiro é o óleo vegetal. “Consumimos em 2012, nove milhões de toneladas de óleo e reciclamos apenas 20 mmil toneladas”. Segundo o palestrante, está baixa reutilização do produto ocorre devido ao alto custo da coleta do material. “ A meu ver, quem vai viabilizar projetos de coleta desse material será a exportação, devido ao alto valor embutido ao produto no mercado internacional”. Considera.
 
O Brasil é o terceiro maior produtor de carne suína no mundo e, consequentemente maior gerador de matéria-prima para a reciclagem de carcaças. “A maioria dos países faz a coleta das carcaças, o Brasil não” salienta Cypriano.
 
Segundo o palestrante, isso ocorre devido a procura do brasileiro em não dar valor aquilo que não é agradável, que é feio. “Precisamos vencer este paradigma de ver isso como problema e voltar nossos olhares para o lucro. Em outros mercados como o americano  e o Europeu a coleta destes materiais é um serviço ambiental inexorável”, frisa.
 
No Paraná, segundo dados da secretaria de agricultura e do abastecimento do Estado(SEAB, Curitiba/PR), 51 mil toneladas de aves e 34 mil toneladas de suínos possuem destinação desconhecidas no Estado. No Brasil os números são ainda maiores: mais de 400 mil, toneladas de suínos e 900 mil toneladas de ruminantes são descartados de forma desconhecida.
 
Fonte: Revista Feed& Food – Nº 79
No Brasil, as saídas encontradas para este problema envolvem altos custos, dificuldades de manejo e perda de matéria-prima. “ A gordura por exemplo, é o ouro das carcaças e necessita Ser preservada. Se utilizarmos desperdiçando o principal produto final, é um prejuízo ambiental”, destaca o palestrante.
 
Cypriano destacou ainda que precisamos observar este problema com outros olhos, envolvendo o MAPA na discussão, o Brasil deixa de reciclar quase três milhões de toneladas, que resultariam em 300 mil toneladas de gordura, 11 mil toneladas de fósforo que equivaleria a 61 mil toneladas de fosfato de fósforo. “Precisamos envolver toda a cadeia nesta discussão para preservarmos nosso lucros”. Finalizou.