“Situação real nas granjas de suínos” foi o tema da terceira palestra do II Painel Novos Horizontes para a Reciclagem Animal – Coleta e processamento de mortalidade em granjas de aves e suínos, apresentada pelo médico veterinário da Integrall Soluções em Produção Animal, Stefan Rohr.
 
O palestrante destacou a dificuldade que os suinocultores possuem para lidar com grande volume de moratalidade das granjas principalmente pela falta de estrutura e de mão-de-obra qualificada. De acordo com Rohr, no Brasil existem diretrizes e estratégias para resíduos agrosilvipastoris, acordados no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), mas não há leis para a mortalidade animal. “O manejo inadequado dos resíduos é fonte de uma série de doenças, compromete a biosseguridade e contamina o meio ambiente”, explicou.
 
Além das carcaças, o palestrante destacou outros resíduos da cadeia produtiva de carne suína que devem ser descartados de maneiro adequada dentro das granjas de matrizes. “Abortos, restos de parto, mortalidade de leitões ao nascimento, além de caudas, massagem e castração também devem ser levados em consideração pelos criadores, pois necessitam manejo adequado”, ressaltou.
 
Uma alternativa aos resíduos da suinocultura proposta pelo pesquisador foi a utilização de biodigestor para geração de biogás para produção de energia e biofertilizantes. “Temos que pensar em resolver o problema de maneira ambientalmente correta, mas que, de preferência, seja fonte de renda para  suinocultor”, explicou.
 
O processo de compostagem acelerada também foi apresentado por Rohr como fonte de renda ao produtor, que pode ser fornecedor de biofertilizante. “É um processo de moagem da carcaça acrescido de serragem, maravalha, etc. O equipamento reduz o tempo de compostagem entre 30 e 60 dias. É um investimento ao suinocultor e que também demanda manejo , já que existe substrato”, acrescentou.
 
O palestrante também enfatizou os métodos indicados pelo pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Gláucio Mattos e concordou que a coleta e processamento seja uma solução viável  baseado em projeto pilotorealizado em uma empresa que processa resíduos de uma granja de suínos mortos por causas naturais, transformando-os em farinhas e gorduras de origem animal. “A empresa tem obtido os melhores resultados possíveis em níveis de proteínas nas farinhas de origem animal”, disse.
 
Para ele, esse processo se torna seguro a partir do momento que haja investimento na conservação em câmara fria e no transporte efetivo de mortalidade. “tanto os suinocultores quanto as industrias de Reciclagem Animal lucrariam através desse procedimento já que os primeiros possuem a matéria-prima que os segundos necessitam para produzir farinhas e gorduras que, por sua vez, agregariam mais qualidade aos produtos para alimentação animal já disponíveis hoje”, finalizou.
 
Fonte: Revista Biomassa& Bioenergia – Página 41