A Comissão Europeia acaba de autorizar a utilização de farinha de origem animal para a alimentação de peixes criados para o consumo humano. A partir de junho, os piscicultores poderão voltar a usar farinha feita com porco e aves, um tema que suscita preocupação na França.
 
Se você não se lembra, o uso desse tipo de produto foi a origem da onda de vaca louca que se iniciou no Reino Unido e se alastrou por vários países do mundo nos anos 90, levando o abate forçado de 190 mil animais.
 
Desde 2001 a utilização desse tipo de ração estava proibida na União Europeia, mas agora ressaltaram os especialistas, a situação é bastante diferente. Um vasto estudo foi realizado por técnicos antes de liberar a farinha animal como explica Françoise Médale, diretora da unidade de Nutrição, Metabolismo e Aquicultura do Instituto Nacional de Pesquisas Agrônomas da França. “A cadeia alimentar e o tratamento de detritos melhoraram muito, portanto, os produtos que vão ser utilizados hoje não tem mais nada a ver com aqueles que foram proibidos há 15 anos. Além disso, os colegas pesquisadores no príon da vaca louca concluiram que jamais ocorreram sintomas nos porcos e aves testados, inclusive nos casos tratados em laboratórios em que príons eram enjetados diretamente nos animais. Portanto, os riscos de transmissão pelos porcos e aves é muito improvável”.
 
Apesar das pesquisas as autoridades eropeias não poderiam ter escolhido um pior momento para fazer esse anúncio da mudança das regras na alimentação dos peixes em pleno escândalo da mistura de carne de cavalo com carne bovina em produtos congelados aqui na Europa.
 
Como as difucldades de determinar a origem da carne foram o centro do problema, Françoise Médale, consideram que as preocupações levantadas pelo retorno da farinha animal tem fundamento. “ Essa história de fraude de carne de cavalo e degado chama a atenção para o fato de que a identificação da origem da carne ainda não é suficientemente confiável portanto, é preciso reforçar as medidas de verificação da rastrabilidade.
 
Enquanto isso, organizações ambientalistas chamam atenção para o fato de que o reaproveitamento das carcaças de animais é algo positivo, porém essa prática não pode legitimar os abusos feitos por alguns criadores.
 
Na opinião de Jean-Claude Bevillard, secretário de Agricultura na France Nature Environnement. “É preciso ponderar que na mortalidade de animais criados intensivamente em ambienta fechados é maior. Não é possível que a ulização da criação desse tipo de animais seja validada por que existe a reciclagem, ou seja, é preciso ter muito cuidado e não se pode justificar a criação intensiva mesmo se for de peixes”.
 
No Brasil a utilização da farinha de origem animal é permitida para a alimentação de não ruminantes, como aves, suínos e peixes. Existe até uma Associação Brasileira de Reciclagem Animal que transforma os restos de bichos em outros produtos, que servem de base inclusive ração para gatos e cachorros. Vinícius Oliveira, secretário-executivo da Abra, conta como funciona essa cadeia. “ Depois do abate você tem o consumo humano que seria a carne você tem a parte do resíduo, como as vísceras, sangue, então o que fazer com isso? Você tem uma empresa especializada que faz isso muito bem ou seja, fechando toda a cadeia. No Brasil, a Reciclagem Animal, a produção de farinhas e gorduras garante a sustentabilidade da carne. Nada é jogado fora”.
 
O Programa meio ambiente de hoje tratou do fim da proibição de farinha de origem animal para alimentar peixes na Europa.
 
Fonte: Rádio França internacional – Lúcia Müzell.
 
Confira o áudio abaixo: