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 “O setor deve ter uma identidade e torná-la clara e presente na sociedade, como uma importante prestadora de serviços ambientais”, Lucas Cypriano
Por: Lia Freire
 
O novo gerente técnico da ABRA – Associação Brasileira de Reciclagem Animal é o zootecnista Lucas Cypriano, formado pela UNESP de Jaboticabal
(SP ), tendo atuado em empresas como a Cooperativa Oeste Catarinense (Aurora), Supre Mais Produtos Bioquímicos, SocilGuyomarc’h e na Eurotec Nutrition.
Desde o final de 2011 assumiu um novo desafio: assessorar os associados da ABRA quanto às legislações, auxiliar em processos de exportação de farinhas,
desenvolver um programa de treinamento e aprimoramento dos fabricantes, melhorar a confiabilidade dos dados oficiais de produção nacional de farinhas
e gorduras de origem animal e, principalmente, auxiliar o setor em busca de uma identidade nacional. E m entrevista à Revista Graxaria Brasileira, Cypriano fala sobre as suas
próximas metas como gerente técnico da ABRA , as prioridades da associação e analisa como o Brasil está posicionado mundialmente no mercado de Resíduos de
Origem Animal.
 
 
Revista Graxaria Brasileira – Nos conte um pouco sobre o seu trabalho na ABRA – Associação Brasileira de Reciclagem Animal.Quais as suas atribuições?
Lucas Cypriano – Sou o responsável pelo departamento técnico da ABRA, no auxílio aos associados nas questões legais junto ao MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; oferecendo assessoria técnica; defendendo os interesses do setor frente aos órgãos oficiais e, por último, tenho como meta implantar um sistema de treinamento e
aprimoramento aos associados. 
 
Revista Graxaria Brasileira – Quais as razões que o levaram a fazer parte da ABRA?
Lucas Cypriano – Durante o meu trabalho na Eurotec – companhia que desde 1993 desenvolve produtos e serviços para o segmento de nutrição animal – eu prestava
assessoria técnica gratuita a ABRA. Isso ocorreu durante 5 anos e no final de 2011 fui convidado para assumir o cargo, que considero resultado desse trabalho realizado.
 
Revista Graxaria Brasileira – Quais os seus objetivos e metas como gerente da associação?
Lucas Cypriano – Assessorar nossos associados quanto às legislações, auxiliar em processos de exportação de farinhas, desenvolver um programa de treinamento e aprimoramento
dos fabricantes de farinhas de origem animal, melhorar a confiabilidade dos dados oficiais de produção nacional de farinhas e gorduras de origem animal e, principalmente, auxiliar o setor
em busca de uma identidade nacional.
 
Revista Graxaria Brasileira – Como o Brasil está hoje posicionado mundialmente no mercado de Resíduos de Origem Animal?
Lucas Cypriano – O mercado produtor nacional está amadurecendo rapidamente, com grandes empresas nacionais sendo tecnificadas. Estas companhias nacionais ainda estão aprendendo a atuar no mercado de exportação, mas pelo fato do mercado interno ser grande e necessitar de proteínas, energia e fontes econômicas de fósforo, a oferta de produto por enquanto é sazonal, o que dificulta um trabalho a longo prazo na exportação.                      
 
“Nos últimos 10 anos o setor vem experimentando uma vertiginosa melhoria na qualidade dos equipamentos instalados, onde podemos observar atualmente fábricas extremamente tecnificadas e tecnológicas.” “Apenas um setor unido, preparado e com objetivos claros poderá se defender dentro de um mercado tão competitivo quanto o atual.”
                    
Revista Graxaria Brasileira – Quais aspectos você destacaria como os que obtivemos importantes progressos? 
Lucas Cypriano – O primeiro grande progresso foi a definição de uma antiga requisição da classe, que o setor fosse fiscalizado por um único órgão e definiu-se pelo DIPOA – Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Animal, do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A maior atuação do DIPOA frente aos fabricantes levou muitas empresas, que trabalhavam em condições precárias, que se profissionalizassem ou se retirassem do mercado. Outro grande avanço foi a elaboração do I Diagnóstico do Setor de Reciclagem Animal realizada pela ABRA com apoio do MAPA, SINCOBESP – Sindicato Nacional dos Coletores e Beneficiadores de SubProdutos de Origem Animal, MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ministério do Trabalho e CEPPHOR – Centro de Estudos e Pesquisas Políticas, Históricas e das Organizações, sem os quais, não seria possível a realização do levantamento.
 
Revista Graxaria Brasileira – E quais os aspectos você destacaria como os mais problemáticos do mercado?
Lucas Cypriano – Diversos pontos são problemáticos, como a falta de uma estrutura oficial treinada para auxiliar o setor, ausência de incentivos fiscais em função do importantíssimo trabalho ambiental realizado pelas empresas e o desconhecimento por parte da sociedade e até mesmo de autoridades competentes sobre a importância do nosso trabalho. Toda e qualquer solução passa por uma etapa que classifico a mais importante: o setor deve ter uma identidade e torná-la clara e presente na sociedade,neste caso, como uma importante prestadora de serviços ambientais. Revista Graxaria Brasileira – Em termos deinvestimentos tecnológicos e mão de obra qualificada como a indústria brasileira de
 
Reciclagem Animal pode ser analisada? 
Lucas Cypriano – Nos últimos 10 anos o setor vem experimentando uma vertiginosa melhoria na qualidade dos equipamentos instalados, onde podemos observar atualmente fábricas extremamente tecnificadas e tecnológicas. A mão de obra está sendo obrigada a se aprimorar, a ser mais bem treinada e preparada para operar equipamentos cada vez mais automatizados e de maior capacidade, o que em última instância reduz a quantidade de postos de trabalho por tonelada de produto processado.
 
Revista Graxaria Brasileira – Quais as principais conquistas obtidas pela ABRA ao longo de sua atuação no mercado brasileiro?
Lucas Cypriano – A principal conquista, sem dúvida, foi a elaboração do I Diagnóstico do Setor de Reciclagem de Produtos de Origem Animal, onde pudemos levantar dados oficiais detalhados a respeito da nossa cadeia de produção. A parceria firmada com o SINCOBESP também foi muito importante para unificarmos os objetivos e centrarmos as ações. 
 
Revista Graxaria Brasileira – Atualmente as prioridades e os esforços da entidade estão direcionados para quais questões?
Lucas Cypriano – Estamos junto com o MAPA trabalhando na elaboração de normativa para o registro de produtos, além da confecção do novo RIISPOA – Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal, também no ajuste de legislações existentes, firmando para isso parcerias com outras associações e entidades da cadeia de produção da carne e, por fim, destacamos os trabalhos de pesquisa junto a entidades como a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
 
Revista Graxaria Brasileira – O setor registrou um faturamento de quanto no último ano?
Lucas Cypriano – No ano de 2010 tivemos um faturamento na ordem de R$ 5,8 bilhões de reais com a venda de farinhas e gorduras de origem animal. Estamos trabalhando neste momento
nos dados de 2011, mas acreditamos em uma pequena redução na ordem de 4%, devido a queda verificada no abate bovino 
 
Revista Graxaria Brasileira – Para finalizar, qual a mensagem que deixaria à indústria
Brasileira de Reciclagem Animal ? Lucas Cypriano – Apenas um setor unido, preparado e com objetivos claros poderá se defender dentro de um mercado tão competitivo quanto o atual. Filie-se à ABRA e vamos fortalecer cada vez mais o nosso segmento.
 
Fonte: Revista Graxaria Brasileira, edição 27. Páginas 58-61. www.editorastilo.com.br