Por: Cátia Macedo, gestora de Projetos da ABRA
A National Renderers Association (NRA), associação que representa a Reciclagem Animal dos Estados Unidos e Canadá, realizou um interessante estudo feito pela Universidade de Clemson, onde se mediu e calculou a pegada de carbono da Recicalgem Animal, onde se concluiu que a Reciclagem Animal é responsável pela remoção de grandes quantidades de carbono do meio ambiente. Neste estudo, algumas premissas foram calculadas:
 
Ø  Mais de 75% da gordura é composta de carbono;
Ø  Farinha animal proteica tem cerca de 25% de carbono;
Ø  Se não reciclados, estes materiais seriam uma fonte potencial de gases de efeito estufa,como o CO2, metano ou oxido nitroso;
Ø  Potencial de aquecimento global do metano é 21 vezes maior do que CO2, já o oxido nitroso é 310 vezes maior;
Ø  Logo, cada quilo de carbono de uma carcaça animal pode resultar em liberação ambiental de 3,7kg de CO2 equivalente.
Caso esse material de risco não fosse reciclado pela indústrias de Reciclagem Animal, ele seria depositado em aterros, queimado, enterrado ou inadequadamente despejado em rios, pastos e afins, e seria um enorme risco à vida silvestre e aos humanos que permanecessem próximos a esses resíduos, pois enormes quantidades de dióxido de carbono, amônia e outros compostos contaminariam nosso ar e água. Quando reciclados, estes produtos são processados e estabilizados para o uso total da segurança na alimentação animal,  cosméticos e energia.
A Reciclagem Animal é uma indústria verde que protege o maio ambiente através do recolhimento e processa os produtos de origem animal, que prejudicariam o meio ambiente se fossem permitidos para decomposição.
A Reciclagem Animal é uma indústria que produz com toda a segurança bioenergia, proteína, carbono, fósforo e outros recursos biológicos.
A cadeia presta serviços essenciais para proteger a saúde humana e animal contra doenças, protegendo a fauna e o meio ambiente.
 
Os Prinicpais números
 
Esse estudo da NRA foi realizado pelo Centro de Pesquisa e Educação de Co-Produtos Animais(Acrec) da Universidade de Clemson nos Estados Unidos, calculou o balanço de gases de efeito estufa de uma fábrica de Reciclagem Animal padrão dos EUA, onde uma indústria típica processa 460 toneladas de matérias-primas em um período de 24 horas. Durante esse dia, a indústria:
 
Ø  Usa 9998 termas de gás natural;0,005 toneladas de CO2 são produzidas para cada terma usada; 49,9 toneladas de CO2 são produzidas a cada dia  a partir de gás natural.
Ø  Queima 2.800 litros de sua própria gordura como biocombustível; 0,01 toneladas de CO2  são emitidas para 4,5 litros (similiar ao óleo combustível); 6,77 toneladas de CO2 são emitidos a cada dia a partir de biocombustível.
Ø  Produz um total de 56,77 toneladas de CO2 a partir do ambiente por dia; (0,912kg de CO2 para cada quilo          de material processado).
 
Muitos detalhes fariam uma determinada planta melhor ou pior do que este modelo dos EUA. Operações mais eficientes consomem menos combustível, operações maiores tem mais rendimento e menor consumo equivalente de energia. Se pensarmos no Brasil, o volume de CO2, emitido por nossas fábricas tende a ser sensivelmente menor, uma vez que utilizamos majoritariamente madeira de reflorestamento no lugar de gás natural (fonte não renovável), logo, nossa menor utilização de combustíveis fósseis melhora a pegada de carbono da indústria de Reciclagem Animal brasileira frente à norte-americana.
 
E se tais materiais não fossem reciclados?
 
As indústrias de Reciclagem Animal processam anualmente 12,5 bilhões de quilos de materiais animais putrescíveis, onde processos térmicos controlados removem a água, reduzindo o volume do material original entre 50% a 70%, matando todos os agentes patogênicos, produzindo gorduras e farinhas ricas em proteínas que são estáveis e seguras.
Ø  A decomposição desse material contribuiria no aumento da emissão de gases de efeito estuda, como o CO2, metano ou óxido nitroso.
Ø  A decomposição desse material representaria rsico de processo de eutrofização e acidificação de rios e lagos, devido a presença de Po4 e N2O.
Ø  A decomposição desse material aumentaria o risco de doenças em humanos e animais.
Ø  A decomposição desse material provocaria forte odor fétido.
Ø  A decomposição desse material atrairia animais carniceiros, pragas e insetos.
Ø  O descarte em aterros moveria outros materiais.
 
Poucas indústrias tem uma pegada de carbono tão pequena, com impacto positivo tão claro sobre o meio ambiente.
 
Referências
1.    Gooding, C. Data for the carbon footprinting of Rendering operations. Journal of industrial ecology. 2012, Vol. 12,3,pp. 223-230.
 
2.      National Renderers Organization.                                                                                                  Carbon footprint. NRA. [online]2013www.nationalrenderers.org/environmental/footprint
 
Fonte: Revista Biomassa&Bioenergia – Edição 11, nº 1 2015. Páginas 12 e 13.