A Associação Brasileira De Reciclagem Animal – ABRA se reuniu com representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura – MPA no último dia 22 de agosto para discutir a destinação dos resíduos do pescado no país.
 
Segundo dados do Ministério, o Brasil captura anualmente 1,2 milhões de toneladas de peixes e de acordo com o informado pelo Sr. Rodrigo Claudino, cerca de 30% desse total não é aproveitado para o consumo humano. Isso ocorre devido ao fato da carne de peixe ser muito perecível e além disso, a forma de captura e seleção. Notadamente a pesca de duplo arrastro e o emalhe de fundo gera um grande volume de descartes de peixes, moluscos e crustáceos jogados mortos ao mar. A ABRA acredita que esses resíduos poderiam ser aproveitados como matéria-prima para a Indústria de Reciclagem Animal, na produção de óleo de peixes e a farinha de peixes.
 
A ABRA propôs que seja elaborado um estudo de viabilidade econômica para o processamento desse produto, visando garantir a entrega dessa matéria-prima em boas condições para as Indústrias de Reciclagem Animal, gerando divisas aos pescadores e ao país.
 
O chefe de assuntos estratégicos e relações institucionais do MPA, Luis Alberto de Mendonça Sabanay avaliou como viável uma futura parceria com a ABRA. “Nos componentes novos que surgirem, nós não teremos problemas de acionar os canais e dentro do sistema colocar e ver o que cabe a nós do poder público produzir para isso se tornar uma política de forma efetiva”. Garantiu o Sr. Sabanay.
 
A farinha e o óleo de peixe são procurados em nosso país e no exterior. Segundo dados da Aboissa Óleos Vegetais, o óleo de peixe peruano apresentou um aumento de preço médio de US$ 530,00 pela tonelada em 2012 em relação a 2011. Já com a farinha de peixe, o Peru registrou aumento de US$ 322,00 por tonelada em 2012 em relação a 2011.
 
Esses produtos são de grande valor nutricional na produção de rações para animais. O presidente da ABRA, Sr. Clênio Gonçalves, considera que a matéria-prima do abate de peixes é um produto bastante rentável para o setor de Reciclagem Animal. “Essa atividade é de grande interesse para o setor, por ser viável para os pesqueiros aumentando sua renda e para quem irá processar essa matéria-prima” diz.
 
O coordenador do departamento técnico da ABRA, Sr. Lucas Cypriano, disse que o Brasil deve aproveitar a experiência de outros países no estudo para que seja viabilizada uma parceria entre a ABRA e o Ministério. “Podemos trazer o conhecimento de outros países para o Brasil. A indústria que processa pescados ainda tem muito a crescer”.
 
A ABRA apresentará os dados para o Ministério da Pesca e Aquicultura, pois vemos como muito importante essa possível parceria entre a ABRA e o MPA, reduzindo desperdícios e auxiliando no aumento de renda da atividade pesqueira.