O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) relatou a ocorrência de caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina, conhecida como doença da vaca louca, em uma fêmea leiteira do estado da Califórnia.

Em nível de pecuária mundial, a ocorrência de doenças não pode ser considerada positiva, ainda mais quando se trata de uma doença desta importância.

Por outro lado, seria hipocrisia não considerar possíveis ganhos para a pecuária brasileira.

No final de 2003 os Estados Unidos relataram casos da doença. Em função disso, em 2004 as exportações caíram 81,7%, na comparação com 2003. 

No mesmo intervalo os embarques brasileiros aumentaram 41,7% e o Brasil passou a Austrália, assumindo o posto de maior exportador. A figura 1 mostra a evolução dos embarques no Brasil e nos Estados Unidos, desde 2001.

Embora tenha havido diminuição na concorrência pela recuo das exportações  norte-americanas, o Brasil entrava em um momento de oferta maior de animais, devido à maior participação de fêmeas nos abates, que começava naquele ano.

Com isto, tínhamos mais oferta e preços mais competitivos, além do processo de ampliação de mercado, que vinha ocorrendo.

A figura 2 mostra a evolução das exportações de carne brasileira e a participação de fêmeas nos abates.

Uma maior participação de fêmeas no abate de bovinos gera maior oferta e pressiona as cotações dos animais terminados.

A correlação entre a participação de fêmeas no abate de bovinos e a exportação de carne foi de 0,84 no período, o que significa uma correlação elevada. Valores próximos a 1 indicam maior relação entre as séries.

Com isto, nos últimos anos tivemos mais exportações nos períodos de maior oferta de fêmeas e cotação da arroba do boi gordo baixa. (Figura 3).

Houve um aumento dos embarques entre 2003 e 2007, e, certamente os Estados Unidos foram um concorrente a menos, direta ou indiretamente, o que contribuiu para esse resultado.

Este caso pode afetar o Brasil de algumas maneiras.

Os Estados Unidos vinham aumentando seus embarques para países para os quais o Brasil exporta, como Rússia e Egito.

Outro ponto que deve ser considerado é a maior disponibilidade interna nos Estados Unidos, devido a uma possível diminuição nos embarques.

Isto pode diminuir a importação de carne industrializada brasileira pelos EUA.
Fonte: Scot Consultoria