Skip to main content

Foram quatro dias de estudos e troca de experiências sobre segurança de farinhas e gorduras
 
A 6ª Capacitação ABRA que Aqui Tem Qualidade (AATQ) de Fabricação Higiênica de Farinha e Gordura Animal foi encerrada na sexta-feira (7). Foram quatro dias de estudos e troca de experiências sobre a produção higiênica de farinhas e gorduras de origem animal.
Nesta edição, além de apresentações de empresas como a Eurotec, Dupps, Fast, Haarslev e o apoio da Icavi, houve a presença do professor doutor do departamento de Patologia, Laboratório de Microbiologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP/FCAV), Ruben Pablo Schocken Iturrino.
A Capacitação foi conduzida pelo coordenador técnico da ABRA, Lucas Cypriano que teve a sala lotada com a presença de fabricantes, consumidores e acadêmicos ligados ao setor de reciclagem animal. “Tivemos um debate muito rico com diferentes opiniões, realidades, necessidades e experiências”, declarou o coordenador.
Entre os principais temas abordados estiveram: a implantação da Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) em uma fábrica de reciclagem animal; o controle de barreira térmica e sua importância na segurança microbiológica do produto final; a construção de equipamentos higiênicos mostrando ideias e conceitos para que se atender adequadamente as particularidades de cada fábrica; e a correta divisão da fábrica em áreas seca e úmida, assim como as técnicas de limpeza e sanitização adequadas para cada área em específico.
Nessa capacitação, conforme Cypriano, mais uma vez ficou evidente a necessidade das autoridades fiscalizadoras compreenderem melhor o setor. “A fabricação de farinhas e gorduras exige soluções diferentes da produção de cárneos e da fabricação de rações. Temos particularidades, pontos fortes e fracos específicos de nossa atividade. Se não formos bem interpretados, ações e recomendações válidas para frigoríficos ou fábricas de rações podem ser danosas à segurança de nossos produtos. Temos que ser vistos e interpretados como somos: recicladores de proteínas de origem animal”, avaliou o coordenador.
A Capacitação também foi uma oportunidade das empresas não associadas conhecerem os serviços realizados pela ABRA. O gerente de Mercado Interno, Vinícius Oliveira falou sobre o trabalho que envolve estudos de mercado, ações na área internacional e o acompanhamento e a influência de políticas públicas para o setor.
 
Relatos de quem participou
Para o supervisor de produção da BRF de Lajeador, Alcério Denes a capacitação foi muito importante, pois ofereceu embasamento teórico e prático sobre questões que envolvem da microbiologia até a legislação do setor. “Sou um apaixonado pela reciclagem animal. Vejo o potencial que existe nessa área e como temos um impacto positivo para o meio ambiente e para a sociedade ao reciclar o que poderia acabar se tornando problema para o meio ambiente”, observou.
Também o analista da Qualidade da Cooperativa Castrolanda, Antônio Altino destacou os conhecimentos técnicos e práticos apresentados de forma simples e objetiva. Para ele, a parte mais importante do curso foi quando se falou sobre microbiologia, microrganismos indicadores e padrões microbiológicas para atender ao Programa de Acreditação AATQ da ABRA. “Em cinco anos trabalhando nessa área este foi um dos melhores cursos que participei. É fundamental uma capacitação em que se trate de maneira clara sobre padronização dos procedimentos e da criação de normas para o setor”, afirmou Denes.
 
Opinião Acadêmica
O professor doutor do UNESP, Ruben Pablo Schocken Iturrino foi responsável por abordar com o grupo alguns conceitos microbiológicos, esclareceu dúvidas e deu suporte a avaliações microbiológicas. Mas, a capacitação também foi momento de aprendizagem para o acadêmico. “Tive a oportunidade de aprender sobre um setor pouco conhecido para a maioria dos profissionais das áreas de veterinária, zootecnia, agronomia e engenharia de alimentos. Verifiquei que resíduos considerados lixo se tornam importante fonte de alimento, além de aumentar a sustentabilidade do país, gerar empregos e divisas com exportação”.
Sobre a capacitação, o professor doutor avaliou como fundamental para padronizar procedimentos nas diversas indústrias, por permitir a muitos técnicos detectarem onde estão os erros e como corrigi-los, em especial quando se fala em microrganismos. “Como são organismos que não podem ser vistos a olho nu, muitas vezes, as pessoas não acreditam que estão ali ou ignoram que simples procedimentos poderiam elimina-los ou, ao menos, minimiza-los. Com a capacitação passa a ser criado um padrão de qualidade em que todos seguem os mesmos princípios e procedimentos”.
Ao final, o professor Iturrino destacou ser fundamental para o desenvolvimento do setor o trabalho realizado pela ABRA que serve como elo entre a indústria, o consumidor primário e as políticas públicas.
 
Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA