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A lei que eleva a mistura obrigatória de biodiesel de 7% (B-7) para até 10% (B-10), ao longo de três anos, já aprovada pelo Congresso Nacional, aguarda sanção presidencial. O projeto foi apoiado por unanimidade no Senado e na Câmara dos Deputados, onde a votação ocorreu na quinta-feira (3).
Conforme o texto, o aumento será gradual. Após a lei ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff, em um ano, o diesel comercializado nos postos de combustíveis já contará com 8% de biocombustível. No ano seguinte, chegará a 9% e, depois, a 10%. 
A expectativa da Ubrabio (União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene), é que isso reduza a dependência externa de diesel fóssil. No ano passado, o Brasil importou sete bilhões de litros. Além disso, aumentará o aproveitamento da capacidade instalada das empresas produtoras de biodiesel no Brasil. Conforme o diretor-superintendente da entidade, Donizete Tokarski, a ANP (Agência Nacional do Petróleo), a indústria tem produção autorizada de 7,5 bilhões de litros por ano. Atualmente, são produzidos quatro bilhões de litros. “Cada 1% de aumento da mistura significa 600 milhões de litros a mais por ano. Assim, quando alcançarmos o B-10, chegaremos a 5,8 bilhões de litros produzidos anualmente”, diz ele.  
Ele também destaca os benefícios ambientais da medida. Para se ter uma ideia, o B-7 reduz em 5% as emissões de poluentes, em comparação com o diesel comum. No caso do B-10, a diminuição será de 7%. Tokarski lembra que isso está alinhado com o compromisso firmado pelo Brasil na COP-21 (21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) pela redução das emissões, a fim de conter o avanço do aquecimento global. “Essa agenda é totalmente conectada com a tendência mundial de melhorar os aspectos de sustentabilidade dos combustíveis”, ressalta. 
 
Matéria-prima
Atualmente, 75% da matéria-prima utilizada na produção de biodiesel no Brasil vem do óleo de soja. Mas o país tem avançado, também, no aproveitamento de outros produtos, que antes eram descartados. Um exemplo é a gordura animal, utilizada em 20% do biodiesel fabricado nacionalmente. Segundo Tokarski, isso permitiu aumentar a renda de produtores, por gerar valor a algo que, até então, era rejeito. Hoje, cerca de 760 mil toneladas de sebo animal são transformados em combustível no Brasil. 
Os outros 5% têm origem em óleo de algodão, outras gorduras e óleo de cozinha reciclado. Esse último está na mira da indústria, que quer aumentar o aproveitamento do material. “Os Estados Unidos, por exemplo, utilizam óleo de cozinha para produzir cerca de 12% do biodiesel. Aqui chega a 1%. Temos muito o que avançar”, destaca Tokarski. Para isso, lembra que a população deve fazer o descarte correto do produto, armazenando em potes e procurando pontos de coleta e cooperativas de catadores. 
Essa medida, além de gerar renda para parcelas da população, traz benefícios ambientais. Se descartado no ralo da pia, o óleo causa danos nas tubulações residenciais e públicas, aumentando a necessidade de manutenções, além de contaminar a água e o solo. “Se tirar impurezas do óleo de cozinha, ele já é um biodiesel, já tem um valor muito grande. Então, não se pode jogar fora”, alerta o superintendente da Ubrabio.
 
Fonte: CNT