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Banco do Brasil destina R$ 103 bi para financiamento da nova safra

Em uma cerimônia com a presença do presidente Michel Temer, o Banco do Brasil anunciou ontem que vai destinar R$ 103 bilhões em recursos para a safra 2018/19, que começou oficialmente no dia 1º de julho. O montante é 21% superior ao disponibilizado no ciclo anterior. Do total, R$ 11,5 bilhões serão destinados para as empresas da cadeia do agronegócio e R$ 91,5 bilhões em crédito rural a produtores e cooperativas, dos quais R$ 72,8 bilhões são para operações de custeio e comercialização e R$ 18,7 bilhões para créditos de investimento agropecuário, conforme antecipou o Valor. O Plano Safra 2018/2019 foi anunciado por Temer no dia 6 de junho, quando o governo disponibilizou o montante de R$ 191,1 bilhões em crédito rural para o ciclo atual.

Mas ontem, o BB, que responde por cerca de 60% de todo o crédito rural liberado pelo sistema financeiro, detalhou as condições de liberação e anunciou a redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas de juros para as linhas de custeio, investimento e comercialização da agricultura empresarial. Durante o evento, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que os números do plano foram muito discutidos e os recursos ficaram dentro do que era possível para o governo. “Pela primeira vez, Banco Central, Ministério da Fazenda, da Agricultura, confederações, sindicatos e produtores, todos foram ouvidos durante a construção do Plano Safra”, disse ele. Blairo, que fez elogios ao presidente Michel Temer em seu discurso, citou a lei do teto de gastos e afirmou que com ela “todos nós sabemos qual o tamanho da caixa de sapato”, em referência ao montante que se pode gastar. Temer retribuiu os elogios e, ao exaltar sua equipe no discurso, disse que se considera uma espécie de maestro. “Nós cuidamos coletivamente do governo. Eu sou, digamos assim, o regente da orquestra, mas a orquestra não desafina”, afirmou.

Ele destacou ainda a atuação do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, que também estava no evento, e afirmou que Guardia conseguiu administrar “o drama” causado pelo teto dos gastos. Após o evento ontem de manhã, Blairo afirmou a jornalistas que as incertezas decorrentes do impasse em relação à tabela do frete rodoviário estão paralisando algumas negociações de produtos agrícolas. “A situação é bastante complicada para o setor”, disse o ministro, que é contra a tabela. “A comercialização futura da soja, do milho, dos grãos que estão nas fazendas, essa está absolutamente parada porque os compradores não sabem qual frete arbitrar para fazer essa comercialização”, afirmou. À tarde, depois da fala do ministro, a comissão mista do Congresso aprovou a Medida Provisória 832, que estabelece preço mínimo para o frete. Aos jornalistas, Blairo disse que por ser ministro tem de apoiar a proposta do governo, mas que é preciso buscar entendimento dentro do que foi definido. Segundo ele, a tabela de frete pode existir, mas deve respeitar a sazonalidade do setor e a lei da oferta e da procura. Ele acrescentou que haverá uma pressão inflacionária em vários preços por conta da indefinição. Na visão do ministro, se o problema persistir, os produtores vão acabar criando as suas próprias transportadoras.

Fonte: VALOR ECONÔMICO